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Operação-padrão pode aumentar ainda mais a já extensa fila de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros. Categoria pede 30% de reajuste salarial

Auditores fiscais da Receita Federal têm marcada para segunda-feira uma operação-padrão que deve emperrar a liberação de cargas para importação e exportação no Brasil, informou o sindicato da categoria. "Normalmente operações-padrão afetam muito mais as importações. O que estiver no canal vermelho vai ser totalmente fiscalizado", disse à Reuters Pedro Delarue, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal.

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O chamado "canal vermelho" é o grupo de produtos importados que não têm liberação automática, e que hoje corresponde entre 20% e 25% das cargas que entram no país. "Um exemplo é a Zona Franca de Manaus, que usa peças fabricadas no exterior e vem compor produtos aqui no Brasil", disse Delarue. Ele explica que para uma fábrica que trabalha com o sistema 'just in time', por exemplo, em 10 dias já haveria falta produto no mercado em que ela atua.

A entidade afirma que não será uma greve, com servidores parados. A operação padrão deve fazer com que todas as cargas, na chegada ou saída do país, sejam conferidas. Normalmente a inspeção é feita por amostragem. O sindicato afirma que serão impactadas todas as aduanas do país, ou seja, todo o fluxo de cargas em portos, aeroportos e postos de fronteira.

O protesto pode impactar na já extensa fila de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros. "O movimento (a operação-padrão) deve ser forte em Paranaguá, onde há grande impacto na exportação. Supõe-se que embarque de soja e açúcar sejam prejudicados. Mas prefiro não adiantar o tamanho do impacto para aguardar o início da mobilização", completou o presidente do sindicato.

Crédito zero

Em paralelo deve haver uma operação que está sendo chamada de "Crédito Zero" pelos auditores, na qual os dados sobre impostos cobrados sobre importação não serão repassados para o sistema da Receita Federal, apesar de serem verificados diariamente pelos fiscais.

O sindicato afirma que o movimento é por tempo indeterminado, até que o governo aceite negociar  reajuste salarial. A categoria pede aumento de 30,18%, para compensar falta de correções desde 2008. Segundo a entidade, há 10.500 auditores fiscais em atuação atualmente no Brasil.

Procurada, a Receita Federal disse que não vai comentar o protesto.

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