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Ex-controladores afirmam que, por meio de contratos de swap, continuam integralmente expostos aos efeitos econômicos que possam decorrer de oscilações das ações vendidas

O Banco Cruzeiro do Sul vendeu pouco menos de nove milhões de ações (8.939.882), por R$ 115 milhões, poucas semanas antes de sofrer intervenção do Banco Central. Houve um único comprador, o Caieiras Fundo de Investimento Multimercado - Investimento no Exterior, administrado pelo Morgan Stanley. A informação consta de comunicado enviado pelo banco a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no 21 de maio, no qual o banco informa que a data da venda foi o dia 18 do mesmo mês. No dia, as ações do Cruzeiro do Sul eram cotadas a R$ 12,79.

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Em outro comunicado, o Banco apresenta como justificativa a necessidade de atingir o percentual mínimo de 25% das ações preferenciais disponíveis para negociação no mercado (free float), exigido pelo regulamento do Nivel 1 de governança corporativa da BM&F Bovespa.

Segundo o jornal Valor, em reportagem publicada nesta quarta-feira, o que chama a atenção na operação é a possibilidade de que na data da transação os controladores do banco, Luis Felippe e Luis Octavio Indio da Costa, já soubessem que o Banco Central tinha programado inicialmente intervir no Cruzeiro do Sul no dia 25 de maio. E também o perfil supostamente sem sentido da operação.

O jornal apurou que o fundo comprador das ações teria na ponta os próprios controladores do banco, que teriam sido financiados pelo Morgan Stanley na operação. E que, para garantir que não ficaria com o mico na mão, o Morgan Stanley teria garantido o empréstimo com a venda de CDBs para os próprios controladores do Cruzeiro do Sul, que teriam pagado com o dinheiro da venda das ações do banco.

Procurados pela reportagem, o banco Morgan Stanley no Brasil informou que não se pronuncia sobre o assunto. A CVM diz que não fala sobre casos específicos. O Banco Cruzeiro do Sul não enviou resposta até o momento. Mas, Luis Octavio Indio da Costa, se manifestou em seu nome e no do pai.

Em comunicado, diz que a operação em questão (tratada na reportagem do Valor) "tinha data limite para ocorrer fixada em documento público há quase um ano", e que cumpria exigência da BM&FBovespa para o reenquadramento do banco nos níveis mínimos de free float estabelecidos para empresas listadas no Nível 1 do Novo Mercado. "O banco tinha até o dia 17 de maio para anunciar que medida tomaria para se reenquadrar e deveria implantá-la imediatamente. Como acordado, o leilão foi convocado no dia 17 e foi realizado no dia seguinte. Todas essas informações são de conhecimento do mercado desde 31 de maio do ano passado, quando foram formalmente comunicadas ao mercado, e estão disponíveis para consulta desde então para o público no site do banco, em sua seção de relações com investidores", diz o texto.

Indio da Costa afirma ainda que "por meio de contratos de swap realizados junto ao comprador", ele e o pai "permanecem integralmente expostos a todos os efeitos econômicos que possam decorrer de oscilações no valor da totalidade das ações que foram objeto da venda". "Não houve portanto perda ou benefício para mim ou para meu pai", conclui.

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