Tamanho do texto

Levantamento de entidade que reúne a indústria fonográfica britânica indica que alta no mercado digital compensou declínio na comercialização de CDs

Mesmo com o feito, venda de CDs ainda deve continuar forte por um bom tempo, avalia especialista.
George Magaraia
Mesmo com o feito, venda de CDs ainda deve continuar forte por um bom tempo, avalia especialista.
A receita de música digital superou a obtida a partir das vendas de formatos físicos como CDs e vinis pela primeira vez no Reino Unido. De acordo com dados compilados pela Indústria Fonográfica Britânica (BPI, na sigla em inglês), as vendas online representaram 55,5% dos 155,8 milhões de libras que circularam no mercado de música no Reino Unido nos primeiros três meses do ano.

Leia também:  Música on-line vai movimentar R$ 11 bilhões em 2011, diz consultoria

Os números divulgados pela BPI mostram um impressionante crescimento do mercado digital que fez a indústria fonográfica avançar 2,7% e ajudou a compensar o declínio nas vendas de CDs. A renda das vendas digitais aumentou quase 25% no trimestre em comparação ao mesmo período do ano passado, somando 86,5 milhões de libras. No entanto, a receita de formatos físicos, como CDs e vinil, caiu 15% e agora representa 69,3 milhões de libras. 

Receitas digitais são baseadas em downloads, assinaturas e serviços de música sustentados por anúncios, como Spotify e we7. Os downloads de álbuns digitais aumentaram significativamente durante os primeiros três meses do ano, com a participação do digital no total de vendas chegando a quase um terço de todos os álbuns vendidos no Reino Unido, acima dos 23,6%. Os álbuns superam as receitas de downloads de faixas individuais pelo segundo trimestre consecutivo. 

No ano passado, a indústria musical do Reino Unido girou 795 milhões de libras, queda de 3,4% em relação ao ano anterior. Em 2003, a receita total era de 1,2 bilhão de libras.

Perspectivas melhores 

O presidente da BPI, Geoff Taylor, disse que os resultados representaram um "marco significativo na evolução do mercado da música". "As gravadoras britânicas adotaram o digital como núcleo (de suas operações), com apoio à inovação e mais licenciamentos de novos serviços online e móveis do que qualquer outro país", afirmou. "Como resultado, as perspectivas de crescimento da indústria parecem mais fortes para vários anos." 

Mas ele também advertiu contra a complacência na indústria fonográfica. "Nós precisamos ver a tendência repetida por vários trimestres para dizer que dobramos a esquina. A procura de CDs continua forte no Reino Unido"

O chefe de análises de negócios da publicação setorial Music Week, Paul Williams, afirma que não se pode falar em fim do CD. "As pessoas se acostumaram a uma determinada maneira (de ouvir música). No passado, a mudança foi de (suporte) físico para físico, mas agora é diferente. É físico para o virtual. Geralmente, o público mais velho prefere comprar o formato físico. Isso não significa que todos o farão, porque há alguns que vão fazer o download", diz Williams.

Williams concordou que o crescimento do download de álbuns é significativo. Mas "não é forte o suficiente para compensar o deficit no mercado de álbuns". "O CD ainda detém a maioria das vendas de álbuns no Reino Unido e vai continuar assim por algum tempo." 


BOX - Os mais vendidos no Reino Unido 

Os álbuns campeões de venda no trimestre:

1. Born To Die, Lana Del Rey

2. Our Version of Events, Emile Sande

3. +,Ed Sheeran

Mais vendidos (físico e digital): 

1. 21, Adele

2. Born To Die, Lana Del Rey

3. Our Version of Events, Emile Sande

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.