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Executivo Hugo Bethlem vê relação como estratégica para crescimento do grupo Ponto Frio, Casas Bahia e Nova Pontocom apesar das discussões sobre controle do varejista

O vice-presidente-executivo do Pão de Açúcar, Hugo Bethelm, posa durante o Reuters Latin American Investment Summit 2012 em São Paulo
Nacho Doce/ Reuters
O vice-presidente-executivo do Pão de Açúcar, Hugo Bethelm, posa durante o Reuters Latin American Investment Summit 2012 em São Paulo
Alvo de dúvidas em meio à proximidade da troca de controle do Pão de Açúcar, a divisão de eletroeletrônicos e comércio online Via Varejo vem ganhando espaço cada vez mais relevante nas operações do grupo, que descarta considerar a venda da unidade.

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"A Via Varejo foi uma decisão estratégica do grupo", disse o vice-presidente-executivo do Pão de Açúcar, Hugo Bethlem, durante o Reuters Latin American Investment Summit, nesta quarta-feira. "Não está em questão ser vendida, não está na mesa esse assunto."

Formada por Ponto Frio, Casas Bahia e Nova Pontocom, a Via Varejo pertence a um segmento muito dependente de financiamento, o que somado à demora na aprovação antitruste de sua formação travou a captura de algumas sinergias.

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O suporte do Grupo Pão de Açúcar, maior varejista do país, é importante para garantir o crescimento da Via Varejo, cuja operação "casada" com o negócio de alimentos é apontada como estratégica por Bethlem.

Uma possível cisão da Via Varejo, que poderia inclusive passar às mãos da família Klein, que era dona da Casas Bahia, teria ganhado espaço nas discussões envolvendo os rumos do Pão de Açúcar após 22 de junho, quando o sócio francês Casino deve assumir o controle do grupo.

O vice-presidente executivo do Pão de Açúcar questiona a possibilidade de a Via Varejo sobreviver de forma isolada no mercado, sem o apoio de sua controladora.

"(O negócio) é casado... A Via Varejo tem razão de existir casada (com o grupo)", afirmou Bethlem. "É difícil dizer se esse negócio fica de pé sozinho ou não."

A Via Varejo é responsável por quase 45% das vendas do Grupo Pão de Açúcar, mas por apenas um terço do resultado operacional, consequência, em parte, da espera de quase 30 meses para que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) avalie o processo.

No início deste mês, o relator do caso no órgão antitruste, conselheiro Marcos Paulo Veríssimo, afirmou que a operação deve ser votada em junho ou até meados de julho.

"As sinergias não foram totalmente capturadas... Ainda estamos em processo de construção, de maturidade", disse o executivo do Pão de Açúcar, justificando a participação quase irrelevante da Via Varejo no lucro líquido consolidado do grupo.