Tamanho do texto

Presidente-executivo da companhia vê espaço para quase dobrar a atual fatia de mercado da empresa

Após se consolidar na liderança do mercado imobiliário comercial, com a incorporação de parte da WTorre, há duas semanas, a BR Properties traçou metas mais ambiciosas.

Com um portfólio combinado de R$ 10 bilhões, o presidente-executivo da companhia vê agora espaço para quase dobrar a atual fatia de mercado e elevar em até 40% o valor dos ativos no prazo de quatro anos.

Em uma operação concluída em "poucas horas", a união da WTorre Properties permitiu à empresa alcançar a meta de R$ 10 bilhões em ativos bem antes do previsto.

Segundo Claudio Bruni, o portfólio, antes em cerca de R$ 5 bilhões, deveria dobrar de tamanho em três ou quatro anos.

Com esse salto, a companhia viu a possibilidade de, em cinco anos de existência, multiplicar seu portfólio em seis vezes.

"Temos capacidade para aumentar de 30% a 40% (o valor dos ativos) em até quatro anos", disse Bruni à Reuters.

Considerando os três segmentos em que a empresa atua --escritórios, galpões industriais e grandes lojas de varejo--, a companhia tem hoje 3% do setor. Com a WTorre, essa participação chegará a quase 6 por cento.

"É ainda uma parcela muito pequena. Mais ou menos 20% está com empresas organizadas e o restante do mercado está nas mãos de pessoas físicas, que não têm sofisticação."

Nesse sentido, o executivo aposta na possibilidade de alcançar cerca de 10% do mercado, também em quatro anos. Para isso, entretanto, a companhia não deve partir para nenhuma estratégia distinta da adotada desde 2006.

"A estratégia permanece a mesma, de aquisição ou até de fusão... Estamos sempre envolvidos em negociações, nunca trabalhamos uma única oportunidade", disse ele, acrescentando que as negociações envolvem, em grande parte, imóveis prontos, sendo que nenhuma deve ter o porte da operação com a WTorre.

A integração à WTorre Properties também garantiu à empresa uma posição de caixa bastante "tranquila", segundo Bruni, de R$ 1,6 bilhão, montante suficiente para suportar os planos de consolidação. "Estamos com uma capacidade muito ativa para novos investimentos. As aquisições serão feitas com capital próprio e dívida levantada no mercado local."

Se considerada a emissão de dívida, o executivo afirmou que a companhia tem condições de investir até R$ 2,5 bilhões, com base na disponibilidade de caixa atual. "Manteremos a postura mais agressiva na consolidação de ativos prontos."

Logística no foco

Puxado pelo aumento da produção industrial, favorecida, por sua vez, pelo aumento da massa salarial e do consumo, a área de logística parece ter se tornado a mina de ouro do mercado imobiliário comercial.

Responsável por 40% das operações da BR Properties, o segmento de galpões industriais deve concentrar ainda mais as atenções da empresa daqui para frente.

"É um setor com potencial muito grande. Não só é extremamente promissor em termos de demanda nova, mas para abrigar empresas cada vez mais produtivas e exigentes", disse Bruni, que hoje tem entre seus "inquilinos" a Unilever e fabricantes chineses de produtos eletrônicos.

Segundo o executivo, embora o segmento de escritórios deva continuar respondendo pela maior parcela dos investimentos da companhia, é possível que os galpões cheguem à metade das operações.

Com perto de 90% dos ativos concentrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, a BR Properties descarta, pelo menos nos próximos cinco anos, partir para regiões ainda pouco exploradas pela empresa, como Nordeste e Centro-Oeste, ainda que reconheça a carência de empreendimentos logísticos nesses locais.

"Também não vamos entrar em hotéis, nem em shopping centers. Focar em três classes de ativos foi a grande vantagem da nossa estratégia", assinalou o executivo.