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Acordo de cooperação é o primeiro passo para começar a desenvolver o combustível no Brasil. Boeing comemora presença maior no País

AE
"Futuro da aviação depende da sustentabilidade", diz Donna Hrinak, recém nomeada presidente da Boeing Brasil
As fabricantes de aeronaves Boeing e Embraer e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) assinaram nesta terça-feira uma carta de intenção para pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação no Brasil. 

“O futuro da aviação e do nosso negócio depende da sustentabilidade”, disse Donna Hrinak em sua primeira entrevista coletiva como presidente da Boeing Brasil, cargo que assumiu neste mês. “O acordo é um passo importante, pois traz a possibilidade de estabelecer uma indústria de biocombustível no Brasil", disse.

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Para o vice-presidente de engenharia e tecnologia da Embraer, Mauro Kern, a parceria “é um passo importante de uma longa caminhada”. A primeira etapa do programa deve durar, em média, um ano e consiste na elaboração de estudos sobre tecnologias e desafios para criação de uma indústria de produção e distribuição de biocombustíveis no País. “Vamos avaliar a viabilidade técnica e econômica”, disse Shep Hill, presidente da Boeing Internacional.

A segunda etapa, que deve ter início em 2013, será a implantação de um centro de pesquisa para desenvolvimento de combustível sustentável para aviação. Segundo Suely Vilela, membro do conselho superior da Fapesp, o desenvolvimento de estudos e testes mais aprofundados neste centro de pesquisa deve levar de 10 a 12 anos. Mas não há data prevista para que novos tipos de combustíveis comecem a ser usados comercialmente. “Não há data, o mercado é que vai determinar isso”, afirmou Hill.

Boeing e Embraer não revelaram o quanto pretendem investir no projeto, nem detalharam como será a participação de cada uma. “Não temos os números”, disse o presidente da Boeing Internacional. Segundo ele, trata-se de uma carta de intenção e só depois dos estudos mais detalhados será possível estimar os investimentos. “Esta é uma investigação séria sobre se o projeto é viável ou não. Nós vamos investir todos os recursos necessários”, disse Hill. Kehr, da Embraer, afirmou que o papel de cada companhia no projeto também será definido após a etapa de estudos iniciais. A parceria anunciada hoje prevê também a participação das companhias TAM, GOL, Azul e Trip como consultoras estratégicas.

A importância do uso do biocombustível, segundo os executivos, é reduzir a emissão de carbono provocada pelo uso de querosene de aviação. A meta estipulada pela associação que representa o setor aéreo mundial, a IATA, é cortar pela metade a emissão de carbono até 2050, em comparação ao registrado em 2005. “Queremos prover alternativas de combustível e fazer isso de um modo que não vamos concorrer com alimentos e que não leve a um aumento de preços de commodities agrícolas”, disse Hill.

O biocombustível pode ser obtido através de diversas fontes – no Brasil, a cana-de-açúcar é o principal produto, enquanto em outros países a alga aparece com mais destaque. O biocombustível para uso em aviação precisa ser diferente do etanol usado em veículos – não tanto pelo processo produtivo, mas pelas condições específicas necessárias para o funcionamento de um avião. 

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O anúncio das pesquisas para biocombustíveis no Brasil em parceria com a brasileira Embraer e a Fapesp ocorre em um momento em que a Boeing acaba de abrir escritório em São Paulo e nomear Donna Hrinak para a presidência da companhia no Brasil. “São dois marcos muito importantes hoje”, afirmou Shep Hill. “Estamos anunciando a colaboração para biocombustíveis e ampliando nossa presença no Brasil.”

O executivo falou da importância de ter uma pessoa com bom histórico de relacionamento com o País à frente das operações. “Donna é muito respeitada no Brasil”, disse. “Com isso, estamos não só trazendo a Boeing ao Brasil, mas o Brasil à Boeing. Vamos entender melhor as aspirações desse mercado que é muito importante para nós.”

Hrinak, que foi embaixadora dos Estados Unidos no Brasil entre 2002 e 2004, disse estar muito feliz por voltar ao País no comando da Boeing. “Não sou brasileira nesta vida, mas fui em alguma vida anterior”, falou a jornalistas.

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