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Água limpa que vem da escola

Tecnologia desenvolvida por aluna do ensino médio pode beneficiar comunidades sem acesso à água tratada

Bruna Bessi, IG São Paulo |

Comunidades sem acesso à água tratada podem ser beneficiadas pela tecnologia desenvolvida por uma aluna do ensino médio. O projeto exposto na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel (Intel ISEF- International Science and Engineering Fair), realizado na California (EUA), nos dias 09 a 14 de maio, cria uma estação de tratamento em que a desinfecção da água é feita a partir da filtração e do aquecimento solar, em um sistema de fluxo contínuo de tratamento.

Karoline Elis Lopes Martins, estudante do terceiro ano do curso de edificações no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG), desenvolveu o projeto e concorreu na feira internacional, conquistando além de outras classificações, o Prêmio Google no valor de US$ 10 mil, uma das principais categorias da competição e que tem destaque pelo grau de inovação exigido nos projetos.

Na técnica desenvolvida, o canal de fluxo contínuo é produzido com garrafas PET de dois litros, acopladas a um concentrador solar feito com uma estrutura de madeira e chapas refletoras. Para que haja a desinfecção microbiológica da água, ela deve ficar exposta por mais de duas horas e atingir a temperatura de 50º.

O tratamento na estação é composto por duas etapas. A primeira consiste na filtração da água e sua desinfecção através da luz solar, processo conhecido como solarização, e a segunda ,no tratamento de parte da água já utilizada, diminuindo o impacto nos afluentes dos rios. A estação criada tem capacidade para atender uma demanda de 47L/dia por pessoa e tem um custo aproximado de R$ 10 mil.

O sistema de concentração de calor solar é potencializado com a pintura da metade inferior das garrafas PET com a cor preta. A desinfecção alcançada no projeto é de 99,9% e, para que haja um efeito máximo a temperatura deve estar próxima dos 70ºC.

Segundo Guilherme Fernandes Marques, orientador do projeto e docente da CEFET, a viabilidade do sistema desenvolvido foi um dos aspectos decisivos para a conquista do prêmio. “O projeto é representativo porque envolve uma técnica de baixo custo, utiliza energia solar e ainda reaproveita garrafas pet”, diz.

A prática de desinfectar por solarização pode ser encontrada no Nordeste, mas o volume de água solarizada obtido ainda é muito pequeno e não há uma estação de tratamento que utilize esse sistema. “No Nordeste, as pessoas usam essa técnica de maneira individual. Karoline fez um sistema de fluxo contínuo de tratamento da água que possibilita o uso freqüente”, diz Andréa Rodrigues Guimarães, coorientadora do projeto.

 

O desafio internacional

Divulgação
Estudante Karoline Martins (na fileira da frente - da esq para a dir) e alunos vencedores da competição.
A competição Intel ISEF envolve 1600 alunos pré-universitários, de 59 países. Este ano, o Brasil conquistou duas menções honrosas e 16 prêmios, dentre eles o primeiro lugar na categoria Ciências Comportamentais e Sociais e o destaque com o projeto Gemara e Gematria, da aluna Tamara Gedankien, em que foi apresentado um estudo de caso sobre os efeitos do uso de contextualização sociocultural para a aprendizagem da matemática.

Para competirem na feira internacional, os alunos brasileiros passaram por seleções em dois importantes eventos, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec).

Na feira internacional foram mostrados 18 projetos brasileiros e, segundo Roseli Deus Lopes, diretora da Febrace, o bom resultado dos alunos é decorrente da integração deles com a escola. “Através de competições como essa, podemos mostrar que nossos jovens têm alto potencial e conseguem bons resultados quando há integração nas escolas”, afirma.

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