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Ministros se reúnem amanhã e quinta-feira, em Paris, para discutir medidas que combatam a volatilidade dos preços agrícolas

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As expectativas para a adoção de novas medidas internacionais que garantam a segurança alimentar foram impactadas hoje pela declaração do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, de que as discussões sobre as principais políticas propostas até o momento devem ser adiadas ou abandonadas no encontro de ministros das 20 maiores economias do mundo (G20).

Os ministros se reúnem amanhã e quinta-feira, em Paris, para discutir medidas que combatam a volatilidade dos preços agrícolas. A França, que preside o G20, transformou em prioridade do grupo as questões de segurança alimentar, depois que os preços dos alimentos atingiram nível recorde em fevereiro.

Zoellick afirmou a jornalistas, em teleconferência, que a proposta de criar uma rede internacional de estoques de alimentos provavelmente "não é a melhor política" e que seria difícil transformá-la numa política internacional do G20. Autoridades dos Estados Unidos demonstraram resistência aos planos de criar reservas regionais de alimentos para uso de emergência - um passo sugerido para que os países do G20 reduzam a fome no mundo em desenvolvimento.

O presidente do Banco Mundial também alertou que tal política pode preocupar os produtores, pois eles temem que "isso seja usado para controlar preços com a liberação (da oferta estocada)". Zoellick acredita que as discussões relacionadas à especulação nos mercados de alimentos serão adiadas para outro momento neste ano. "Sobre questões como limites de posição, o G20 vai contar com os grupos financeiros, que terão mais discussões sobre políticas regulatórias para futuros e derivativos", disse.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, avalia que os especuladores nos mercados de commodities ajudaram a impulsionar os preços dos alimentos. No entanto, Zoellick espera que os ministros do G20 anunciem o lançamento do Sistema de Informação de Mercado Agrícola (Amis, na sigla em inglês), uma iniciativa cujo objetivo é aumentar a transparência nos mercados de agricultura, como ocorre com o mercado de petróleo, disponibilizando mais informações sobre estoques e produção de alimentos no mundo.

Mas mesmo essa ideia deve enfrentar resistência. Economistas disseram que será difícil convencer países como a China - um grande importador de alimentos - a contribuir com dados que podem comprometer suas estratégias comerciais.

A Rússia também se mostrou contrária à proposta que visa a restringir as intervenções dos governos nos mercados. Isso a impediria de suspender as exportações quando há alta de preços no mercado interno, como fez no ano passado com os grãos - fator que também impulsionou as cotações internacionais. Zoellick espera "resistência dos principais produtores agrícolas para abrir mão da opção de usar as restrições de embarque como uma ferramenta" para controlar os mercados. As informações são da Dow Jones.

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