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A colheita da soja ainda não terminou, mas o mercado já está aquecido para as trocas por insumos com as indústrias e tradings

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Os produtores de soja do sudoeste goiano estão na reta final da colheita da soja. Os técnicos que fazem parte da Equipe 5 do Rally da Safra percorreram ontem as principais áreas de produção de grãos da região, para checar in loco a produtividade das lavouras. Eles constataram que as plantações de ciclo tardio foram beneficiadas pelo clima e apresentam excelente rendimento, acima de 60 quilos por hectare. O produtor Julio Priori, de Jataí, diz que a colheita na fazenda já alcança 95% da área plantada, com produtividade média de 61,31 sacas por hectare.

Ele observa que os problemas climáticos ocorreram na soja precoce, pois faltou chuva no início de outubro e em meados de novembro, o que reduziu a produtividade em alguns talhões para 53 sacas por hectare. A colheita da soja ainda não terminou, mas o mercado já está aquecido para as trocas por insumos com as indústrias e tradings.

Há comentários que a multinacional Louis Dreyfus estava sondando o mercado no sudoeste goiano oferecendo R$ 44 por saca e o Banco do Brasil também disponibilizou as linhas de crédito para financiar os insumos da próxima safra. Os produtores estão fazendo as contas sobre os custos de produção para fechar os pacotes.

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A competição da cana-de-açúcar com as lavouras de grãos está inflacionando o preço do arrendamento de terras no sudoeste goiano, principal polo agrícola do Estado. Os produtores rurais reclamam que não têm condições de competir com as usinas, que oferecem o equivalente a 15 sacas de soja, que aos preços médios na última safra rendeu líquido ao proprietário R$ 600 por hectare.

Os comentários foram feitos por vários produtores que conversaram com as equipes do Rally da Safra, que ontem percorreu as principais áreas produtoras de grãos do sudoeste goiano, para avaliar a produtividade da soja e também as condições de plantio do milho safrinha. Ao longo da viagem foi possível constatar que a cana-de-açúcar teve uma forte expansão na região, para atender destilarias como a da ETH, situada em Caçu, e da Raízen, em Jataí.

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que em Santa Helena de Goiás são 33,5 mil hectares de cana; em Mineiros, 31 mil; em Caçu, 19,3 mil; em Rio Verde, 17 mil; em Jataí, 16,8 mil hectares. O gerente Comercial, Juliano Borges, da empresa armazenadora Priori, em Jataí, comenta que o agricultor precisa fazer as contas para avaliar se compensa correr os riscos para produzir soja e milho ou optar pela segurança do arrendamento das terras para as usinas.

As condições atuais de mercado favorecem os grãos, pois a renda média da soja está na faixa de R$ 900 e a do milho R$ 500 por hectare. Nesta quinta-feira, a Equipe 5 do Rally da Safra cruza divisa de Goiás com Minas Gerais, realizando evento em Uberlândia. Serão avaliadas, ainda, lavouras da região do Triângulo Mineiro, Paracatu e Unaí. Depois de concluir este trecho, a equipe seguirá até Brasília, na terça-feira da semana que vem. *O jornalista viajou a convite da organização do Rally da Safra

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