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Novo Plano de Safra será divulgado no dia 29; "começaremos a ter um tratamento mais integrado para a pecuária", diz Rossi

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O Plano de Safra da agricultura comercial 2011/2012 terá novos instrumentos de apoio à pecuária, informou hoje o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. "O plano vai focar em questões que não tínhamos enfrentado. Começaremos a ter um tratamento mais integrado para a pecuária", afirmou. Segundo Rossi, estão previstas linhas para aquisição e manutenção de matrizes.

O novo Plano de Safra, que será divulgado no dia 29 deste mês no Palácio do Planalto, deve conter políticas para o melhoramento genético do rebanho, linhas de financiamento para o setor sucroalcooleiro e mecanismos para promover a regularização do mercado de laranja. O ministro destacou que, até agora, o produtor rural contou com linhas específicas para a atividade agrícola, sem crédito específico para a pecuária.

Em médio prazo, destacou Rossi, a meta é ampliar o rebanho (atualmente com cerca de 200 milhões de cabeças) e, com isso, firmar ainda mais o Brasil no mercado internacional de carne. "Vamos acabar com qualquer impropriedade sobre nossa capacidade de produção", disse, ao anunciar hoje a nova estimativa de colheita recorde de 161,5 milhões de toneladas de grãos, resultado presente no 9º levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os novos instrumentos de estímulo para aquisição e retenção de matrizes, destacou Rossi, são essenciais para promover a expansão do rebanho. "Um terço dos animais que vão para o abate são fêmeas. Com isso, é possível receita, mas também compromete a geração de receita futura", disse o ministro, lembrando que cada fêmea representa, em média, 0,8 bezerro novo por ano no pasto.

Haverá também crédito para o melhoramento genético do rebanho, antecipou o ministro. "No nelore, nossa genética é melhor que a original indiana. Queremos que isso não seja apenas entre o gado de elite", declarou. Segundo Rossi, as linhas de crédito para a pecuária vão levar em consideração as peculiaridades do setor. "Os ciclos econômicos da lavoura e da pecuária são distintos", explicou, lembrando que as culturas de grãos ocupam menos de um ano civil entre o plantio e colheita.

Já na criação de animais, destacou, o ciclo é mais longo, e isso precisa ser considerado na concessão de linhas de financiamento. "O tipo de financiamento da lavoura não serve para a pecuária", disse, lembrando que desde a monta até o abate é necessário um período mínimo de quatro anos.

Agricultura

Para o setor sucroalcooleiro, o governo pretende oferecer crédito para a renovação de lavouras. "Nos últimos dois anos, perdemos produtividade, pelo envelhecimento de canaviais", disse o ministro. Segundo Rossi, haverá linhas de financiamento de valores elevados, de R$ 1 milhão por produtor, porque trata-se de um setor que trabalha com escalas elevadas.

Em relação ao setor de laranja, o governo pretende lançar mecanismos que evitem fortes oscilações de preços ao produtor. "É um mercado no qual a volatilidade tem prejudicado fortemente o produtor. Nos últimos três anos, o produtor teve preços entre R$ 5 e R$ 6 a caixa, subiu para R$ 16 a R$ 17 e depois caiu para R$ 6 ou R$ 7 a caixa", afirmou.

Segundo ele, tamanha oscilação de preços explica por que a cana avança sobre áreas antes ocupadas por pomares de laranja. O governo também tem como meta tornar a Região Nordeste autossuficiente na produção de milho, destacou Rossi. "Vamos fazer um trabalho para que o Nordeste receba milho produzido no próprio Nordeste", afirmou. A estratégia tem por objetivo evitar as altas despesas com subsídios oficiais para transporte do grão, até agora necessárias para deslocar a oferta de milho das principais áreas produtoras - eminentemente a região Centro-Oeste - para o mercado nordestino.

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