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Rio de Janeiro, 19 out (EFE).- De acordo com uma pesquisa apresentada hoje por um grupo de organizações que defende a imposição de restrições aos latifúndios, entre os quais estão o Episcopado e as associações de camponeses, 95,5% dos brasileiros defende a limitação do tamanho das propriedades rurais.

Rio de Janeiro, 19 out (EFE).- De acordo com uma pesquisa apresentada hoje por um grupo de organizações que defende a imposição de restrições aos latifúndios, entre os quais estão o Episcopado e as associações de camponeses, 95,5% dos brasileiros defende a limitação do tamanho das propriedades rurais. Os representantes do chamado Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo disseram que 95% das 519.623 pessoas de mais de 16 anos consultadas entre os dias 1º e 12 de setembro se mostraram partidárias da fixação de limites para o tamanho das propriedades rurais. Cerca de 3,5% se disse contrária à proposta de limitar as granjas, 0,63% votou em branco e 0,34% anulou o voto, segundo uma consulta realizada pelas próprias organizações que integram o Fórum em diferentes cidades de 24 dos 27 estados do Brasil. A pesquisa foi apresentada como base da campanha que as organizações pretendem realizar para recolher 1,2 milhão de assinaturas em todo o país para pedir ao Congresso Nacional que convoque um plebiscito no qual os brasileiros possam se pronunciar sobre a restrição. O Fórum defende que o tamanho das fazendas seja limitado a 35 módulos fiscais, uma medida que pode variar entre 245 e 3.500 hectares dependendo da região. Segundo os cálculos dos organizadores da pesquisa, o Estado, no caso dessa limitação ser aprovada, poderá dispor para seus planos de reforma agrária de 42 mil a 50 mil fazendas que superariam o tamanho máximo. Essas fazendas contam com uma área total próxima a 100 milhões de hectares, o que equivale a quase 12% dos 851 milhões de hectares de terras do país e a quase um terço dos 330 milhões de hectares de terras cultiváveis. Segundo o especialista Ariovaldo Umbelino, da Universidade de São Paulo, no Brasil há outros 200 milhões de hectares que não são aproveitados por seus proprietários e 500 milhões de hectares de terras públicas sem uso agrícola, que em sua maioria corresponde a reservas ambientais ou indígenas. Defendeu a necessidade de limitar o tamanho das fazendas para fazer frente à histórica desigualdade da distribuição de terras no Brasil. Segundo um Censo Agropecuário realizado em 2006 pelo Governo, quase metade das propriedades rurais estão em mãos de grandes fazendeiros. O estudo oficial indica que as propriedades com até dez hectares ocupam 2,7% das terras destinadas à agropecuária no país, enquanto fazendas com mais de mil hectares monopolizam 43% dessa área. EFE cm/tf

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