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A França enviou ontem ao Brasil suas propostas de discussão sobre a "financeirização" das commodities agrícolas para serem discutidas no âmbito do G-20 na próxima semana, em Paris, conforme o ministro da Agricultura, Wagner Rossi

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A França enviou ontem ao Brasil suas propostas de discussão sobre a "financeirização" das commodities agrícolas para serem discutidas no âmbito do G-20 na próxima semana, em Paris, conforme o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Para ele, a proposta é razoável e está sendo analisada pelos técnicos da pasta, mas não trata dos subsídios concedidos aos agricultores europeus, que tanto incomodam o setor rural brasileiro. "Queremos condições de livre competição", afirmou Rossi.

"O Brasil não vai à casa das pessoas para ofendê-las, mas vai lembrar dos subsídios que, na Europa, são como o homem invisível: ninguém vê", continuou o ministro, acrescentando que o País não prevê levar uma proposta ao grupo. Entre as sugestões enviadas pelos franceses está a formação de um estoque alimentar que poderá ser usado em caráter emergencial em países do terceiro mundo durante crises. "Neste ponto concordamos e já adianto que vamos participar", disse Rossi durante entrevista coletiva.

O ministro relatou, ainda, que a França defende uma maior disponibilização das informações agrícolas por parte de todos os países produtores. Rossi disse que a transparência dos dados é importante para antecipar situações adversas e que, se todos colaborarem, será possível fazer um sistema mundial de alerta contra problemas de segurança alimentar. Ele ressaltou que os dados do Brasil já estão disponíveis e são atualizados constantemente.

O ponto mais polêmico da proposta francesa é promover uma maior interferência dos governos no mercado de commodities, para diminuir a volatilidade dos preços agrícolas. Quando foi sugerida, essa ideia recebeu duras críticas de vários setores produtivos. Mas os franceses disseram, na ocasião, que a proposta foi mal interpretada. O que eles querem, segundo Rossi, é um maior controle de instrumentos financeiros aplicados na comercialização de produtos agrícolas no mercado, especialmente de hedge e contratos a termo.

A análise que se tem é de que esses contratos são sempre feitos com preços maiores para o futuro, o que ajuda a aumentar os preços atuais e intensificar a especulação. "Pela avaliação, esse é um elemento que pode conturbar mercados e tem efeito especulativo. O que temos de discutir no G-20 é se temos capacidade de agir em relação a esses mercados", considerou Rossi.

Ele lembrou que durante os últimos 30 anos o preço dos alimentos apresentou trajetória de queda e ninguém propôs reunião para discutir o assunto. "Agora que temos capacidade produtiva e tecnológica, não é justo discutir controle de preços agrícolas, até porque vivemos em um mundo de mercado", afirmou.

Para Rossi, o controle dos preços pode "matar" a agricultura e a única forma de solucionar o problema da volatilidade é aumentando a oferta de produtos. O ministro reforçou que o Brasil deseja condições de livre concorrência, pois o produtor brasileiro ganha nove a cada dez competições, oferecendo produto de alta qualidade, agricultura eficiente e preço razoável.

Embargo russo

Na véspera do prazo final de importação de carnes de 85 frigoríficos brasileiros pela Rússia, amanhã, o governo ainda tem expectativa de que a data para a implementação da medida restritiva seja suspensa, ou pelo menos prorrogada. "Não recebemos uma resposta final, mas demos a sinalização que os russos esperavam", afirmou Rossi. O ministro disse que o Brasil já começou a atender os 18 pontos da carta enviada pelo país importador e a realizar análises laboratoriais em todas as plantas ameaçadas de serem impedidas de vender à Rússia.

"Fizemos as duas coisas e vamos enviar as informações à Rússia ainda hoje", disse Rossi, acrescentando que o corpo diplomático brasileiro também trabalha com uma ação conjunta insistindo na prorrogação do prazo. O ministro afirmou estar otimista em relação a uma resposta ainda hoje e que espera a autorização da Rússia para que o Brasil possa enviar uma missão a Moscou. "A situação é muito grave, muito difícil", disse.

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