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Químico carbendazim é essencial para combater a doença da pinta preta, causada por fungo que atinge a laranja brasileira

O Brasil, maior exportador de suco de laranja do mundo, vai continuar dependendo do fungicida proibido nos Estados Unidos, ainda que isso coloque em risco as exportações ao mercado norte-americano, disse um pesquisador e produtor na quinta-feira.

O químico carbendazim é essencial para combater a doença da pinta preta, causada por fungo que atinge a laranja brasileira, e é um entre os poucos produtos eficazes que são aplicados nas plantas em esquema de rodízio, disse Geraldo José da Silva, pesquisador de doenças fúngicas da Fundecitrus.

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Os futuros do suco de laranja em Nova York subiram 11%, para máximas recordes nesta semana, depois de a Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dizer que testaria todos os embarques do produto aos Estados Unidos para o fungicida, e barraria importações com qualquer nível detectável. Os preços dos futuros têm caído deste então, mas a questão continua sem solução.

Advogados da indústria do suco do Brasil, que exporta o equivalente a mais de US$ 2 bilhões globalmente por ano, estão em negociações com autoridades dos EUA, em busca de uma solução. E as exportações brasileiras para os norte-americanos estão em compasso de espera.

Uma proibição ao suco que contenha o químico -o qual a indústria brasileira diz estar presente em quase todo o suco brasileiro, mas apenas em níveis considerados não prejudiciais à saúde- poderia tirar do Brasil um importante mercado, mas não o principal -o maior comprador é a União Europeia.

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Os testes ocorrem, no entanto, num momento que os brasileiros ampliaram as vendas aos EUA --no último semestre a participação dos norte-americanos nas vendas do Brasil subiu para 20%.

O químico é um dos três principais tipos de fungicida utilizado para combater a pinta preta, que existe no Brasil desde os anos de 1980, mas se espalhou a uma taxa alarmante nos últimos anos. A doença faz com que a fruta em desenvolvimento caia dos galhos.

"Como há poucas moléculas disponíveis, se pararmos de usar uma, vamos ter que usar outros tipos e isso vai reduzir sua eficácia ao aumentar a resistência do fungo", disse o pesquisador.

A Fundecitrus, em São Paulo, é um centro de pesquisa fundado pela indústria, que busca curas e plantas resistentes à doença para combater os fungos, bactérias e pestes que afetam a laranja no Sudeste do Brasil, onde se concentra a maior produção.

Flávio Viegas, diretor da associação de produtores de laranja Associtrus, disse que as manchas pretas nas frutas vendidas no Brasil são comuns. Algumas laranjas infectadas podem suportar no ramo até que amadureçam e ainda podem ser processadas caso a doença não afete a fruta, acrescentou ele.

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Viegas disse que, além de ajudar no rodízio entre uma variedade de produtos químicos para evitar a resistência, o carbendazim é também o mais barato dos três principais tipos de químicos usados para combater a pinta preta.

Ele disse que o carbendazim custa apenas um quarto do preço do tratamento mais caro e cerca de um terço do preço dos outros, ajudando a reduzir os custos financeiros do mix de produtos químicos rodados ao longo de quatro aplicações anuais. "Se você não controlar (a pinta preta), você pode perder sua colheita ", disse Viegas.

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