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"O mercado não vai ver o JBS fazer coisas em lugares em que não tem operação hoje", afirma presidente da companhia

Os investimentos do grupo JBS, maior produtor de carne bovina do mundo, deverão ficar entre R$ 900 milhões e R$1 bilhão em 2012, ligeiramente abaixo dos gastos de 2011.

Os dispêndios em bens, indústria e equipamentos do JBS atingiram R$ 1,17 bilhão no ano passado, montante inferior aos R$ 1,4 bilhão que a companhia havia inicialmente previsto investir em 2011. O presidente da companhia, Wesley Batista, disse ainda nesta quinta-feira que o JBS estará focado neste ano no crescimento orgânico, na expansão das atuais unidades da companhia.

"Estamos focados em expandir o que adquirimos. O mercado não vai ver o JBS fazer coisas em lugares em que não tem operação hoje. O foco é em crescimento orgânico e expansão do que já temos", disse Batista em teleconferência para comentar os resultados financeiros, acrescentando que uma maior captura de sinergias também está no foco do grupo.

Batista não fez comentários sobre os motivos da redução do investimento. Ele observou também que a companhia trabalha com perspectiva de volumes melhores no Mercosul, ficando acima do que é esperado para o crescimento na região, e melhor performance da indústria de frango nos Estados Unidos, após resultados ruins em 2011.

A companhia divulgou o balanço do quarto trimestre na noite de quarta-feira, no qual apresentou lucro de R$ 25,6 bilhões nos últimos três meses de 2011. Contudo, no acumulado do ano passado, o JBS teve prejuízo de R$ 75,7 milhões, pressionado sobretudo pelo fraco desempenho de suas operações de frango nos EUA, que tiveram prejuízo de US$ 481,9 milhões, o equivalente a R$ 833 milhões.

"Foi um ano horrível no negócio de aves nos EUA. O mercado não foi capaz de absorver o aumento da produção. A Pilgrim's (Pride) perdeu quase US$ 500 milhões... isso gerou um impacto imenso no JBS", disse. "Não foi atípico, foi simplesmente uma questão de oferta e demanda em 2011", acrescentou Batista.

Para este ano, ele acredita que o mercado norte-americano de frangos deve operar de forma mais balanceada e com margens normalizadas, uma vez que o setor já apresentou melhora significativa, com aumentos de preços de 20% ou mais, dependendo do tipo de corte.

Mercados

O JBS informou que em 2011 aproximadamente 75 das vendas totais da companhia foram realizadas nos mercados domésticos em que atua e 25% foram destinados a exportações.

O diretor de relações com investidores do JBS, Jeremiah O'Callaghan, destacou os países emergentes, vendo crescente demanda na África, Oriente Médio, além de China e México. No Mercosul, onde a companhia fez no ano passado ajustes nas operações da Argentina, fechando plantas e redirecionando atividades, a expectativa é de melhora no desempenho.

"Hoje, operamos de forma eficiente... Ainda existem melhorias a serem feitas em bovinos e couros, mas estamos seguros de que estamos em posição mais eficiente do ponto de vista operacional", disse o presidente da companhia.

Ele acrescentou que as medidas visam "voltar a ter operações lucrativas na Argentina... não vamos e não temos permitido perder dinheiro lá". O JBS opera atualmente com duas unidades no país: uma de abate e um armazém, que inclui uma fábrica de hamburguer --a empresa chegou a operar seis unidades na Argentina.

Sobre o endividamento da companhia, que encerrou 2011 praticamente estável em 11 bilhões de reais de dívida líquida, Batista reconheceu que as despesas financeiras do quarto trimestre ficaram em patamares elevados, por efeito do câmbio. Mas ponderou que os benefícios da transferência de dívida mais cara para a barata, com maior peso no longo prazo, devem ser vistos ao longo de 2012.

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