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Além do reforço no volume exportado, o setor também poderá ver uma melhora geral dos preços no mercado externo

O fim das restrições temporárias da Rússia à exportação de algumas unidades processadoras de carnes do Brasil deve ajudar o país a recuperar parte do mercado perdido desde a imposição do embargo russo em junho do ano passado, avaliou o presidente da associação que reúne produtores de suínos.

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Segundo comunicado de vigilância veterinária e sanitária russo, Rosselkhoznadzor, do dia 30 de dezembro, foram liberadas duas unidades da Brasil Foods, em Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG), e uma do Grupo Marfrig, em Amparo (SP), o que inclui unidades processadoras de suínos e aves.

"Com estas duas grandes (processadoras) da BRF, em Rio Verde e Uberlândia, já se faz uma boa tonelagem... começa a recuperar", afirmou Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína).

O setor de suínos foi um dos mais prejudicados pelo embargo parcial russo, e desde junho tinha apenas uma unidade habilitada a exportar para o mercado russo. Agora, diz Camargo Neto, tudo que está sendo produzido nestas unidades liberadas desde o dia 30 de dezembro passado já poderá ser destinado à Rússia.

Levantamento mais recente da Abipecs indica que as exportações para a Rússia caíram praticamente pela metade no ano passado, totalizando 123 mil toneladas. "E isto aconteceu sobretudo no primeiro semestre", observou Camargo Neto, explicando que as vendas foram concentradas no período anterior ao embargo.

Ele avalia que além do reforço no volume exportado, o setor também poderá ver uma melhora geral dos preços no mercado externo. O primeiro destino a sentir este impacto deve ser a Ucrânia, onde a oferta maior de carne suína -que tradicionalmente seguiria para o mercado russo- havia pressionado os preços de exportação.

"Agora, o exportador vai colocar (o produto) primeiro na Rússia. Vai desanuviar o mercado, mas o processo pode ser demorado, no ritmo deles", ponderou Camargo Neto. Ele lembrou que o mercado russo está parado agora por conta do feriado de fim de ano.

Na ocasião em que o embargo foi imposto, mais de 80 unidades tiveram suas exportações suspensas, em três Estados (Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Paraná) . O Brasil é o principal exportador mundial de carne bovina e de frango e o quarto maior em carne suína.

Carne Bovina

A medida adotada pelo governo russo incluiu apenas unidades de abate e processamento de suínos e aves, mas a expectativa é que a restrição também seja levantada para a indústria de carne bovina.

"Temos sinalização positiva, mas nenhuma definição ainda", disse Liège Vergili Nogueira, gerente de projetos da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).

A indústria de carne bovina foi a que sofreu menor impacto com a restrição imposta pelo órgão sanitário russo, uma vez que conseguiu cobrir a demanda da Rússia com a produção de outros Estados liberados para exportar.

A Rússia é o principal destino para a carne bovina brasileira e a perda de participação após o embargo foi pequena, passando de 24 por cento em 2010, para 22 por cento registrados no período acumulado até novembro.

(Por Fabíola Gomes)

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