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Uma série de medidas de apoio à comercialização, às exportações e à estocagem foi anunciada ontem

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Desde o ano passado sem conseguir uma reação dos preços pagos ao produtor de arroz, o governo decidiu que a partir de agora vai agir firmemente não apenas para garantir o retorno ao rizicultor, mas também para enxugar a oferta no mercado. Uma série de medidas de apoio à comercialização, às exportações e à estocagem foi anunciada ontem e a expectativa é a de que gerem um déficit de 582 mil toneladas do grão no mercado até fevereiro de 2012.

A avaliação dentro do governo é de que até agora o mercado não estava "levando a sério" as ações que vinham sendo promovidas desde fevereiro. "É a principal intervenção do governo no ano, pois se reconhece a intensidade do problema", disse o secretário de política agrícola do Ministério da Fazenda, José Carlos Vaz.

Apenas as ações anunciadas ontem e que são voltadas para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os maiores produtores, vão consumir R$ 427 milhões. Para toda a safra atual, serão destinados R$ 1,1 bilhão para auxiliar a comercialização de 3,65 milhões de toneladas do grão. Mesmo buscando o déficit, o governo garante que não haverá desabastecimento.

"Não corremos o risco de ter falta de produto ao consumidor, pois o governo terá estoques. A tese é criar um choque de oferta para que o preço se eleve", garantiu o secretário adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt. O secretário salientou que a intenção é de que o valor do grão suba até chegar ao preço mínimo pago ao produtor de R$ 25,80 por saca de 50 quilos.

"Estaremos monitorando para que não afete a inflação também", considerou Bittencourt. O governo espera que no prazo entre 60 e 90 dias os preços ao produtor já estejam ajustados. Além de ganhos de produtividade, que lança mais arroz no mercado em relação à área do cultivo, outro ponto que acentua o desequilíbrio é o aumento da oferta no mercado enquanto a demanda se mantém.

A estabilidade do consumo foi atribuída pelos secretários ao aumento da renda da população, que passa a ter acesso a produtos alimentícios de maior valor nutricional. O arroz estava sobrando no mercado também pela dificuldade de exportação - já que a produção é muito regional - e pela falta de flexibilidade para o produtor mudar de cultivo no momento em que grão está depreciado.

Superoferta.

Os produtores brasileiros de arroz colheram de fevereiro a maio deste ano uma das melhores safras da história e poderiam estar em festa. Mas enfrentam mais uma das crises cíclicas do segmento, depois de três anos de bonança.

A oferta superior à demanda interna, a pequena procura do mercado internacional e a entrada de grãos do Paraguai, Uruguai e Argentina fizeram a cotação da saca de 50 quilos cair para cerca de R$ 19,00 na semana passada no Rio Grande do Sul, responsável por 63% da produção nacional.

O preço não chega ao mínimo estabelecido pelo governo, de R$ 25,80, e não alcança o custo de produção, estimado em R$ 29,19 pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga). Num cálculo que leva em conta a diferença da cotação para os custos, o presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Renato Rocha, estimava, antes das medidas anunciadas ontem pelo governo federal, que os prejuízos da categoria ficariam próximos de R$ 1,6 bilhão neste ano.

Os agricultores gaúchos manifestavam preocupação com o cenário, pela perspectiva de não terem como pagar as dívidas contraídas na formação da lavoura. Também prefeitos, comerciantes e prestadores de serviços das centenas de municípios que têm no cultivo do arroz sua principal atividade econômica, estavam apreensivos com a redução da circulação de dinheiro e, consequentemente, de negócios e retorno de impostos.

Tabelas elaborados pelo Irga indicam que a soma do estoque inicial de 1,2 milhão de toneladas com a produção de 12,8 milhões de toneladas, uma das maiores da história, e a importação de 800 mil toneladas resulta em uma oferta de 14,8 milhões de toneladas para um consumo esperado de 12,6 milhões de toneladas para o ano.

O volume de produção, só inferior aos de 2003/04 e 2004/05, foi obtido por expansão de área plantada, aumento de produtividade e ótimas condições climáticas para a cultura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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