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Com a produção total de cereais em 2011 abaixo da utilização antecipada, os preços internacionais devem permanecer altos

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O mercado global de cereais enfrenta a segunda temporada consecutiva de déficit de oferta, conforme as projeções iniciais para as safras norte-americana e europeia neste ano foram "significativamente" reduzidas, dissipando expectativas de uma recuperação da produção mundial, informou nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Os preços dos alimentos devem continuar elevados e voláteis em 2012 , exercendo uma pressão cada vez maior sobre os países importadores mais pobres e causando dores de cabeça para os formuladores de políticas, segundo a FAO. "Com a produção total de cereais em 2011 abaixo da utilização antecipada, os preços internacionais devem permanecer altos, especialmente nos mercados de trigo e grãos forrageiros (como o milho)", disse a organização.

Enquanto isso, ministros de Agricultura das 20 principais economias do mundo (G-20) se reúnem em Paris hoje e amanhã para negociar um acordo sobre como lidar com os preços quase recordes dos alimentos e conter a volatilidade. A inflação dos alimentos tem sido culpada por desencadear uma onda de tumultos que abalou o mundo árabe neste ano, e a FAO advertiu que a Líbia, afetada por meses de levante popular, enfrenta uma séria escassez.

A FAO reduziu a estimativa da produção global de cereais em 2011/12 para 2,302 bilhões de toneladas, motivada por uma redução das safras nos Estados Unidos e na Europa. A colheita mundial de trigo deve ficar bem abaixo da projeção anterior, atingindo 671 milhões de toneladas - sendo 134 milhões de toneladas na Europa - depois que uma seca reduziu a estimativa da produtividade.

Contudo, o volume previsto ainda marca um aumento de 2,8% na comparação com 2010/11 devido à recuperação da produção na região do Mar Negro. As reservas globais de cereais devem sofrer, como resultado, recuando para 486,2 milhões de toneladas, o que diminuirá a relação estoque/uso em 2,3%, para apenas 20,7%. "Com os estoques de grãos ainda em níveis baixos, especialmente os de milho, os preços internacionais devem continuar não apenas elevados, mas também voláteis na temporada comercial 2011/12", informou o relatório.

Ainda assim, a FAO disse que um clima favorável indica que os países do Norte da África - incluindo o Egito, maior importador de trigo do mundo - provavelmente dependerão menos de importações. A produção do cereal deve subir 14% neste ano, para 18 milhões de toneladas, de acordo com a organização. As informações são da Dow Jones.

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