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O setor deu um grande salto de crescimento de área plantada e produção, mas a cana brasileira precisa ganhar em produtividade

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O setor sucroalcooleiro precisa de uma injeção de recursos em inovação e desenvolvimento tecnológico, principalmente em novas variedades de cana-de-açúcar, se quiser elevar sua produtividade. O recado foi dado por executivos do porte do vice-presidente de açúcar e etanol da Raízen, Pedro Mizutani, e do presidente da Guarani, Jacyr Costa Filho, duas das principais produtoras do Brasil.

Mizutani, durante o seminário internacional de açúcar e etanol da F.O. Licht. Mizutani explicou que o setor já chegou a registrar uma produtividade de até 90 toneladas de cana por hectare e hoje está em 50 toneladas. "Não adianta o governo fazer a sua parte se o setor não investir em desenvolvimento", disse. O executivo da Raízen ressaltou que atualmente os aportes em pesquisa e inovação por meio do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) estão em R$ 0,10 por tonelada, o que é muito pouco para que o setor volte a ter um crescimento de produtividade.

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Jacyr Costa Filho, da Guarani, lembrou que, enquanto a cana brasileira perdeu produtividade, os produtores de açúcar de beterraba da Europa registram ganhos, com elevação de resultados de 12 toneladas por hectare para 16 toneladas por hectare. "Nos últimos dez anos, o setor deu um grande salto de crescimento de área plantada e produção. Agora é o momento de apostarmos em ganhos de produtividade", disse.

Para Mizutani, as empresas precisam equalizar seus investimentos pois gastam R$ 3,7 bilhões com fertilizantes mas apenas R$ 100 milhões em desenvolvimento de material genético. "Se continuar assim, o Brasil corre o risco de perder sua competitividade", afirma. O executivo lembra que parte da redução de resultado veio da expansão para novas fronteiras agrícolas, em Mato Grosso e Goiás, que precisam de variedades adaptadas para as regiões.

"Na cana, o resultado das pesquisas vem no longo prazo. Precisamos de no mínimo 5 anos para testar uma nova variedade. Então, não se pode mais querer investir apenas em resultados imediatos", explica. Para Jacyr Costa Filho, outro fator que levou à perda de produtividade foi o corte mecânico, que melhorou os resultados no cultivo de soja e outros grãos mas provocou perdas na cana.

Segundo ele, a indústria de máquinas precisa adaptar as colheitadeiras. "As perdas com a colheita atingiram 5%, dos quais 2% vêm das máquinas e 3% de pragas que aparecem com o acúmulo da palha", explica. Com a colheita mecânica, a palha que não é recolhida pelo maquinário se acumula no solo e fermenta, o que leva ao aparecimento das pragas. "Todos estes problemas geram um aumento de custos para o setor", disse.

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