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A extração de óleo prejudica a quantidade de gordura presente no principal subproduto do setor

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 A opção das empresas de etanol dos Estados Unidos pelo óleo de milho está começando a afetar o setor de ração animal. O segmento de óleo de milho, usado tanto na cozinha quanto na produção biodiesel, surgiu no ano passado como nicho lucrativo para produtores de etanol que procuram complementar a renda em tempos de retorno fraco.

No entanto, a extração de óleo prejudica a quantidade de gordura presente no principal subproduto do setor, o grão seco por destilação (DDG, na sigla em inglês). A substância amarela em pó está presente em todas rações para gado, suínos e aves. A extração do óleo torna o DDG menos eficaz para ajudar os animais a crescer antes do abate.

Pesquisadores disseram que preocupações com uma menor quantidade de gordura estão apenas começando a aparecer. Criadores de animais podem começar a reduzir o uso de DDG e passar a utilizar farelo de soja, analisam especialistas. Os preços do farelo de soja atingiram a máxima em seis meses na semana passada, aumentando as preocupações com os estoques globais, após uma safra decepcionante do grão na América do Sul.

A soja recuou nesta terça-feira e fechou a US$ 13,45/bushel, uma queda de 1,55% ou 21,25 cents, na Bolsa de Chicago (CBOT). Até o momento, a demanda por DDG tem se sustentado, afirma Steve Markham, responsável de comércio da cooperativa de agricultores CHS, maior vendedora do produto nos EUA. Ele disse que as exportações à Ásia aumentaram muito, com vários embarques grandes recentemente.

Ainda assim, Markham reconheceu que um grande consumidor internacional reclamou da queda de gordura no DDG durante uma reunião recente com executivos da CHS. Muitos criadores de suínos nos EUA e no mundo se acostumaram com os DDGs, já que nos últimos anos houve um grande aumento da produção de etanol. No entanto, a maioria das grandes empresas de etanol adaptaram suas instalações no ano passado para produzir óleo de milho.

O porta-voz da Valero Energy Corp., Bill Day, disse que a empresa, que extrai óleo de milho em duas fábricas em Iowa, percebeu um salto na demanda por DDGs. Ele explica que os compradores estão insatisfeitos com outras companhias mais agressivas na produção de óleo de milho e que vendem DDG com menos gordura do que os da Valero.

O óleo de milho oferece uma margem de lucro elevada aos produtores de etanol porque os custos de produção são baixos após o investimento inicial em equipamentos. A reação dos criadores de animais não deve fazer com que as empresas produtoras de DDG mudem sua estratégia, já que as margens de lucro do etanol se enfraqueceram devido à desaceleração da demanda e à alta do preço do milho. Desde o início de 2011, os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago tiveram valorização de 5,5%, bem acima das médias históricas, enquanto os contratos futuros de etanol registram queda de 1,8%. As informações são da Dow Jones.

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