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No setor, há consenso de que qualquer medida regulatória tem como custo o aumento do risco

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O presidente da Cosan, Marcos Lutz, disse hoje que espera que a medida anunciada ontem pelo governo, ampliando a banda de mistura de etanol anidro na gasolina de 20% a 25% para 18% a 25%, conserve o fluxo de investimentos necessários para o crescimento do setor.

"A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, tem planos de investimentos para crescer a oferta de cana para 100 milhões de toneladas e a produção de etanol de 2 para 5 bilhões de litros em 5 anos", disse ele. Lutz afirmou que os planos da empresa preveem um crescimento de 2,5 vezes a atual produção em apenas cinco anos, o que consumirá muitos investimentos.

O presidente da Renuka do Brasil, Humberto Farias, também salientou os expressivos investimentos em produção que a indiana tem feito no Brasil, e afirmou que o governo precisa acenar com estímulos para a volta do crescimento da produção de cana. "Este estímulo não viria com medidas como a redução da mistura de anidro", disse.

No setor, há consenso de que qualquer medida regulatória tem como custo o aumento do risco, o que resulta em aumento das taxas de juros pelos bancos financiadores. O temor é que esta maior regulação afaste novos investimentos em um momento em que eles são necessários para a expansão da safra de cana-de-açúcar que vem crescendo, desde a crise de 2008, a uma média de 3% ao ano, depois de crescer 10% ao ano por uma década.

Outro temor do setor é o fato da Medida Provisória não explicitar quais são os limites de atuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), agora que o etanol será controlado por ela. O setor entende que o campo de abrangência do poder da ANP precisa ser melhor definido e explicitado.