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Segundo trading britânica, preços do açúcar ainda não refletem completamente a nova realidade

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A trading britânica Czarnikow elevou em 26% a estimativa para o superávit global de açúcar 2011/12, para 7,7 milhões de toneladas, e afirmou que safras excelentes no Hemisfério Norte se contrapuseram a uma decepcionante colheita de cana no Hemisfério Sul. "Está certo agora que os estoques globais vão aumentar neste ano e, depois de três anos de redução, uma produção global recorde fará com que o lado da oferta alcance a melhor forma dos últimos anos", afirmou o diretor Toby Cohen.

A Czarnikow avalia que a produção global alcançará o novo recorde de 178,1 milhões de toneladas, ante 177,1 milhões de toneladas estimadas em dezembro, quando também previa um superávit de 6,1 milhões de toneladas. No entanto, a Czarnikow disse que os preços do açúcar não refletem ainda completamente "essa nova realidade", apesar de terem recuado mais do que no ano passado.

A trading acrescentou que os preços atuais do açúcar também não estão em níveis que vão mudar a tendência de desaceleração no crescimento do consumo e de maior utilização de substitutos. A Czarnikow não divulgou uma nova estimativa para o consumo, mas disse em dezembro que espera um aumento para 170,5 milhões de toneladas em 2012.

As safras de beterraba representaram um papel essencial no superávit, afirmou a Czarnikow, de modo que agora a expectativa é de que a produção alcance 39,2 milhões de toneladas, um aumento de 22% no ano, enquanto a produção de cana deve crescer para 138,8 milhões de toneladas, ante 136,5 milhões de toneladas previstas no ano anterior.

"Em termos imediatos, o cenário no lado da oferta está concentrado nos grandes produtores de cana-de-açúcar no Hemisfério Norte, depois de uma excelente temporada de beterrabas", afirmou o analista Peter de Klerk.

"A forte produção no Hemisfério Norte está conduzindo o balanço de volta para o superávit." A Czarnikow comentou que indicações iniciais sugerem que a produção de cana do Brasil vai superar 140 milhões de toneladas em 2012/13, na medida em que a safra se recuperar, depois que rendimentos agrícolas mais fracos mostraram que a colheita deste ano foi afetada pela disponibilidade de cana.

Esse recuo parece ter estimulado o setor e o governo brasileiro a tomar alguma ação, concentrando-se na melhora da situação financeira das usinas e impulsionando a produtividade agrícola, tentando aumentar a produção de etanol, segundo a Czarnikow. As informações são da Dow Jones.

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