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Tendência de desemprego não é diferente para trabalhadores não qualificados ou qualificados

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A mão de obra do setor de açúcar e álcool, que conta com 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos, tem dois perfis distintos: um extremamente qualificado e outro não qualificado. Entres os trabalhadores não qualificados que ficam desempregados estão os oriundos do avanço da colheita mecânica de cana nas lavouras paulistas.

Levantamento do Departamento Economia Rural da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal (SP), aponta que a colheita mecânica nas lavouras paulistas eliminou, em média, 51,7 mil empregos entre 2007 e 2011. Segundo o estudo, em setembro de 2007 - ano em que o governo e o setor sucroalcooleiro firmaram o pacto para o fim da queima da palha e da colheita manual em São Paulo até 2017 - uma média de 185.767 trabalhadores não qualificados, basicamente cortadores de cana, trabalharam nas lavouras.

No mesmo mês de 2011, época de pico da colheita da cana, essa média anual de empregados caiu para 134.460. "O efeito negativo no emprego desse grupo de trabalhadores tem sido maior que o efeito positivo originado da expansão da área canavieira no Estado", diz José Giacomo Baccarin, professor da Unesp e um dos autores do estudo.

A tendência de desemprego não é diferente para os trabalhadores qualificados. Segundo Antonio Vitor, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Açúcar e Alimentação de Sertãozinho (SP), um funcionário especializado em uma determinada área de produção, quando demitido, tem dificuldades de encontrar emprego em outra área dentro do próprio setor.

"A usina Batatais (na cidade homônima de São Paulo), por exemplo, tentou ampliar o quadro de funcionários, mas não encontrou gente para trabalhar; enquanto isso, muitos outros que haviam perdido seus empregos não estavam qualificados para a nova vaga", afirmou.

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