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Analista diz que existe no fluxo de suprimento de café, especialmente do arábica, um contexto de acentuada escassez conjuntural

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A cafeicultura deve continuar vivendo um ciclo de preços altos, mesmo que pontuado por flutuações negativas, que serão menos sentidas pelos produtores de grãos finos. A avaliação é do pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), de São Paulo, Celso Luis Vegro, especialista no mercado de café. Nessa previsão ele leva em conta que o café alterna ciclos de alta e baixa, normalmente de 5 a 7 anos cada.

O mais recente foi de baixos preços, cuja duração superou a expectativa, persistindo por cerca de 10 anos, até 2010. Agora, o novo ciclo "aponta para cima". "Existe no fluxo de suprimento de café, especialmente do arábica, um contexto de acentuada escassez conjuntural", justifica. Em sua análise, o pesquisador estima que as cotações do café devem continuar firmes, entre R$ 450/R$ 550 a saca de 60 kg, o que garante uma boa lucratividade para o cafeicultor eficiente.

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A perspectiva de bom desempenho econômico, no entanto, não será suficiente para atrair novos produtores. "A terra está relativamente cara", pondera. Além disso, "outras culturas também se mostram bastante atrativas financeiramente, como cana-de-açúcar e eucalipto", acrescenta. Mesmo assim, o pesquisador observa que há uma "atratividade especulativa pelo café".

"O café é um produto de elevada inelasticidade, que manteve suas cotações mesmo sob o impacto da primeira onda da ruptura financeira em 2008", comenta. "O produto tem chances de se manter como boa reserva de valor quando não se encontra melhores alternativas", acrescenta. Outro fator de natureza estrutural que adiciona mais interesse ao café é a concentração entre produtores, tornando tenso o fluxo comercial.

"O importador não tem para onde correr, somente encontra café no Brasil ou no Vietnã, Indonésia e com muita, mas muita sorte, na Colômbia". O pesquisador ressalta que o setor poderia aproveitar esse período de bonança para desenvolver políticas anticíclicas. "Mecanismos como contratos de opção e a criação de um verdadeiro seguro para a atividade são algumas sugestões", diz.

Vegro reforça, ainda, a necessidade de se estimular a agregação de valor ao café, na forma de produto de mais qualidade e também industrialização. Ele ressalta que o produto estará menos sujeito às oscilações de preço quanto melhor for a qualidade. "O café de qualidade ficará 'blindado' contra flutuações negativas, que vão ocorrer", prevê.

De acordo com ele, o mercado de café em dose veio para ficar. "Esse segmento tem crescimento de dois dígitos", comenta, acrescentando que o café vendido como commodity não avança no mesmo ritmo. "As indústrias embarcaram nesse tendência (mercado por dose), mudando o ciclo econômico do café", garante.

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