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Brasil quer retomar a responsabilidade de elaborar as listas primárias de estabelecimentos credenciados a exportar à região

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O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Camardelli, disse que o Brasil pode desistir de abrir um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a União Europeia caso os pleitos do setor sejam atendidos. "Depois que o governo brasileiro divulgou sua intenção de ir à OMC contra a região, eles resolveram negociar. E parece que as negociações estão caminhando", afirmou em coletiva de imprensa.

O Brasil quer retomar a responsabilidade de elaborar as listas primárias de estabelecimentos credenciados a exportar carne bovina à região, que depois seriam auditados por técnicos europeus. Segundo Camardelli, nas últimas reuniões as autoridades da região deram o aval para que o processo seja novamente liderado pelo Brasil.

Entretanto, ainda falta a publicação da flexibilização das regras, de acordo com os novos parâmetros a serem estabelecidos pela União Europeia. Uma missão da região virá ao País em março para discutir o assunto. "Até janeiro de 2008, quando uma nova versão do Sisbov (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) começou, tínhamos 26 mil propriedades credenciadas, com um rebanho de 26 milhões de cabeças.

Hoje, são duas mil propriedades, com 4,3 milhões de cabeças", informou o presidente da Abiec. Para 2012, a entidade aguarda um número mais "palatável" de estabelecimentos credenciados, com consequente aumento da oferta de animais.

Hilton ainda é impasse

Mas enquanto a UE sinaliza para uma flexibilização da regra de estabelecimentos credenciados e da rastreabilidade bovina, ainda restam questões envolvendo a Cota Hilton. "Tudo leva a crer que as negociações para a flexibilização das regras de rastreabilidade e credenciamentos de fazendas pode fazer que a Abiec e o governo brasileiro desista do painel. Mas por conta da cota Hilton ainda poderia haver", ressaltou Camardelli.

"O grande problema da cota Hilton é a definição. Somente para o Brasil eles determinam que a carne que é incluída na cota tem que vir de animais que se alimentam de pasto, enquanto que para Estados Unidos e Austrália, por exemplo, as terminação dos animais pode ser feita em confinamento, explicou o diretor executivo da Abiec, Fernando Sampaio. "As regras têm que ser iguais para todos", completou.

O Brasil possui um volume de 10 mil toneladas de cota Hilton oferecida pela União Europeia, mas não consegue realizar a totalidade dos embarques por conta dessas exigências. Em 2011, a União Europeia comprou 109,49 mil toneladas de carne bovina brasileira, queda de 10,08% ante 2010, quando os embarques totalizaram 121,76 mil toneladas, parte influenciada pelo agravamento da crise.

Em receita, porém, houve alta de 21,82%, para US$ 836,385 milhões, devido ao aumento de 35,47% dos preços médios pagos pela região, de US$ 7.638/tonelada. O preço é o maior de toda a série histórica da Abiec, que se inicia em 1996. "O aumento do valor pago por eles é reflexo do mix de cortes vendidos e também a uma menor oferta disponível, por conta da diminuição dos estabelecimentos credenciados. Mas prevaleceu a qualidade de nosso produto", disse Camardelli.

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