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Segundo Chinaglia, não há prazo legal para que a companhia apresente sugestões para evitar reprovação da fusão

O caso envolvendo a fusão entre Perdigão e Sadia para a formação da Brasil Foods (BRF) poderá ser novamente julgado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 13 de julho, caso a companhia realmente apresente a tempo novas sugestões para tentar a aprovação da operação.

A afirmação foi feita nesta sexta-feira pelo conselheiro Olavo Zago Chinaglia, que lembrou ainda que não há prazo legal para que a companhia apresente essa proposta. O julgamento da fusão foi suspenso depois que o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo. O primeiro voto, do relator Carlos Ragazzo, foi contrário à operação.

"Estão prometendo apresentar uma nova proposta de compromisso de desempenho e a gente está aguardando", disse Chinaglia, que participou de evento no Rio de Janeiro. "Considerando uma evolução normal do caso, que eles apresentem a proposta em uma semana, essa proposta vai ser negociada e, se no dia 29 não puder ser julgada, será julgada provavelmente na sessão subseqüente", acrescentou.

Haverá uma próxima reunião de conselho no dia 29, mas o próprio Chinaglia estará ausente devido a uma viagem oficial, o que deverá deixar a reunião sem o quórum mínimo necessário. Segundo ele, cabe à empresa apresentar uma proposta, antes que a votação seja retomada. "O interesse é da própria empresa. O quanto antes apresentar, mais rápido o caso se resolve. Essa é uma variável que o Cade não controla", ressaltou.

Chinaglia também respondeu às afirmações de que a fusão seria ideal para criar uma grande exportadora brasileira e de que a Perdigão seria a única possível compradora da Sadia, que passava por problemas financeiros. "Isso nunca foi levantado formalmente nos autos. Os advogados da empresa nunca pleitearam a aprovação da operação com base nesse argumento porque era muito claro que a Perdigão não era a única compradora para a Sadia", afirmou, lembrando ainda que as duas companhias já eram grandes exportadoras nacionais antes da união.

Veja cronologia do processo de fusão:

25 de setembro de 2008 – A Sadia, a maior processadora e exportadora de carne do país, anuncia perdas de R$ 760 milhões com operações de derivativos cambiais. A empresa encerra o ano com prejuízo de R$ 2,5 bilhões, o maior em seus 64 anos de história.

Maio de 2009 - Os presidentes da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, anunciam a fusão entre as duas empresas e a criação da BRF Brasil Foods.

Setembro de 2009 – é concluída a troca de ações entre as empresas. A Sadia transformou-se em uma subsidiária da Perdigão, que passou se chamar BRF Brasil Foods. As empresas ainda se mantêm como entidades separadas, à espera do julgamento do Cade.

30 de junho de 2010 - Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), ligada aos Ministério da Fazenda, emite parecer em que afirma a fusão "resulta em concentrações significativas em diversos mercados relevantes de oferta de carne in natura e produtos industrializados". A secretaria recomenda o licenciamento das marcas Perdigão ou Sadia por, no mínimo, cinco anos, além da venda de um conjunto de fábricas.

Julho de 2010 – A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, acompanha a avaliação da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae).

Maio de 2011- Parecer dos procuradores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomenda fortes restrições ao acordo ou a reprovação do negócio.

08 de junho de 2011 - Com um voto que durou mais de quatro horas, o conselheiro relator do Cade no caso Sadia-Perdigão, Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da união das empresas. Um dos conselheiros pede vistas do processo e o julgamento é suspenso.

15 de junho de 2011 - Por recomendação do conselheiro Ricardo Ruiz, o Cade decide adiar o julgamento da fusão Perdigão-Sadia, atendendo a um pedido de BRF e Sadia. A data para a retomada do julgamento será definida pelo conselheiro.

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