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Segundo especialista, preço do milho devem voltar a subir em abril

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Os preços do milho recuaram no Rio Grande do Sul nas duas últimas semanas e se assentaram no nível de R$ 28 a R$ 28,50 no mercado de lotes. Segundo um corretor gaúcho, as indústrias tentam derrubar os preços, aproveitando o momento em que a prioridade está sendo dada à colheita e ao transporte de soja, mas encontram resistências dos vendedores.

Ele prevê que os preços do milho devem voltar a subir em abril, em função da baixa disponibilidade do cereal, provocada pela quebra de 40% da safra gaúcha, que nesta época do ano é responsável pelo abastecimento do mercado local. O boletim semanal da Emater/RS, empresa de assistência técnica e extensão rural do governo gaúcho, relata que a colheita do milho nesta semana alcançou 50% da área cultivada no Estado e ficou 10 pontos porcentuais acima da média dos últimos anos para esta época. Os técnicos da Emater/RS explicam que as altas temperaturas, aliadas à baixa umidade, fizeram com que as plantas tivessem sua fisiologia alterada, o que acelerou o processo de maturação.

Os técnicos informam, ainda, que o calor e a falta de chuvas interromperam o processo de formação das espigas, "o que gerou grãos pequenos e mal formados, diminuindo sua qualidade". Segundo eles, o rendimento médio nas lavouras colhidas gira ao redor dos 2,6 mil kg/ha. A situação é diversa, pois varia desde a perda total até casos em que a produtividade ultrapassa os 6 mil quilos em lavouras irrigadas.

Em seu boletim semanal, os técnicos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) comentam que o ritmo atual dos negócios no mercado de milho está semelhante ao do período de entressafra, sem refletir o avanço da colheita, que atingiu 50% no Sul. Segundo eles, a opção dos produtores pela comercialização da soja tem limitado a oferta de milho no mercado spot.

As expectativas divergentes quanto à tendência de preços para os próximos meses também inibem vendedores e compradores para negócios em grandes volumes, dizem eles. Em Mato Grosso, houve comentários sobre negócios na sexta-feira em Sorriso a R$ 16/saca livre de impostos e a R$ 15 com origem em Vera e Nova Uriratã. Wanderley Nascimento da Costa, analista da Cimpex Comércio de Cereais, de Sorriso, observa que outro aspecto que limita os negócios com o milho safrinha em Mato Grosso é o fato de 60% a 65% da produção já ter sido vendida antecipadamente.

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