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Rússia segue como principal compradora da carne suína brasileira, com 39,23% de participação nas exportações

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A receita com exportações de carne suína aumentou 7,34%, passando de US$ 117,990 milhões em maio de 2010 para US$ 126,645 milhões no mês passado. Assim como em abril, o desempenho foi impulsionado pelo incremento do preço médio no período, de 9,82%, para US$ 2.815 a tonelada. Mas os embarques, em volume, continuam em queda. No período, o recuo foi de 2,26%, caindo de 46,028 mil toneladas para 44,988 mil toneladas.

O movimento se repete quando analisados os números do acumulado do ano. Até maio, a receita cambial teve aumento de 7,20%, para US$ 583,133 milhões. Em maio do ano passado, a receita foi de US$ 543,958 milhões. O incremento dos preços médios no período foi de 11,53%, para US$ 2.724/tonelada. Em volume, a queda é de 3,88%, diminuindo de 222,745 mil toneladas nos cinco primeiros meses de 2010 para 214,101 mil toneladas no mesmo período de 2011.

A Rússia segue como principal compradora da carne suína brasileira, com 39,23% de participação nas exportações do produto em volume e 44,86% em receita. O resultado preocupa a Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), por conta do anúncio da suspensão temporária , a ser efetivada a partir do dia 15 pelo governo daquele país, de 85 frigoríficos de carne suína, aves e bovinos dos Estados de Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná.

Até maio, a Rússia importou 84 mil toneladas de carne suína brasileira, proporcionando receita de US$ 261,576 milhões. Segundo o presidente da Abipecs , Pedro de Camargo Neto, a ainda excessiva dependência das exportações de carne suína para a Rússia, como se pode observar nesses últimos meses, deve provocar pressão sobre o segmento. É sempre difícil redirecionar linhas de produção para outros mercados, ou mesmo para o mercado interno, onde o consumo de carne suína in natura ainda é reduzido.

Os demais mercados, por ordem de importância, são Hong Kong - 19,69% de participação em volume e 16,22% em receita -, com embarques de 42,166 mil toneladas e receita de US$ 94,599 milhões; Argentina - 7,74% em volume e 8,33% em receita -, com compras de 16,571 mil toneladas e receita de US$ 48,581 milhões; Ucrânia - 6,86% em volume e 7,53% em receita - com embarques de 14,695 mil toneladas e US$ 43,925 milhões; e Angola - 6,61% em volume e 5,75% em receita -, com compras de 14,149 mil toneladas e valor de US$ 26,663 milhões, alta de 4,57%.

Segundo Camargo Neto, a expectativa de atingir as 600 mil toneladas no ano dependerá do desempenho das vendas externas do segundo semestre. "A partir de julho, as exportações costumam melhorar e pode acontecer de alcançarmos as 600 mil toneladas no ano. Até porque teremos as primeiras vendas à China e a perspectiva de início dos embarques para os Estados Unidos, já que ainda falta a autorização final para começarmos a enviar nossos produtos àquele mercado. Mas ainda nada é garantido", disse o executivo, ressaltando que um fator essencial é uma solução para as questões que envolvem o embargo russo.

Rússia

O presidente da Abipecs participou da reunião de ontem, em Brasília, com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, além de outras entidades do setor, representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e Itamaraty. "Estão todos preocupados. Da nossa parte, ainda acreditamos em uma rápida reversão desse quadro", disse.

Camargo Neto informou que pediu a intervenção do vice-presidente da República Michel Temer, que esteve em Moscou recentemente, para entrar em contato com o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin. "Ainda não tenho o retorno, mas creio que isso seja feito para o bem das exportações de proteínas brasileiras", afirmou.

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