Tamanho do texto

Com a redução da expectativa da safra brasileira em até 5 milhões de toneladas, saca chega a ser vendida por R$ 75

Brasil Econômico

As especulações sobre as perdas na safra brasileira de soja, provocadas pelas chuvas abundantes no Norte do Centro-Oeste, e a seca nos estados do Sul e parte do Centro-Oeste, estão pressionando os já elevados preços do grão no mercado, com reflexos, inclusive, na Bolsa de Chicago (CME Group), que ontem comercializava a soja a US$ 14 (R$ 33,04) por bushel. No Brasil, as estimativas mais pessimistas dão conta de que a produção brasileira deva cair até 5,1 milhões de toneladas do previsto pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), saindo dos 90 milhões de toneladas para 84,9 milhões de toneladas (estimativa da consultoria Céleres). Já o preço da saca de 60 quilos, já chega a R$ 75 em Paranaguá (PR).

Saca de soja chega a ser vendida por R$ 75
Agência Brasil
Saca de soja chega a ser vendida por R$ 75

As expectativas de uma valorização ainda maior do grão vem estimulando alguns produtores a guardarem os estoques e retardarem a comercialização, apostando em mais altas, diz o pesquisador Lucílio Alves, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).

Além das dúvidas quanto à safra brasileira, o cenário de forte demanda externa pelo grão por parte da China e as perspectivas de estoques baixos nos Estados Unidos e perdas na safra da Argentina, afetada pelo excesso de chuvas que já atrasam a colheita, são os principais fatores que vêm elevando o preço do grão. No entanto, as especulações podem ter um freio hoje, quando a Conab divulga o relatório mensal da produção, com números mais precisos sobre a safra.

“Até fevereiro, a Conab ainda falava em 90 milhões de toneladas de soja colhida, o que revela que as análises não conseguiram identificar muito a pressão que a seca teve sobre as lavouras. Mas, para esse novo relatório, são esperadas revisões”, avalia Rafael Ribeiro, da Scot Consultoria.

No Paraná, onde a colheita está mais avançada, a consultoria INTL FCStone estima que sejam colhidas 15,4 milhões de toneladas — 1,3 milhão a menos do que o previsto inicialmente pela Conab. Em Goiás, as perdas estimadas estão em 500 mil toneladas. No Mato Grosso do Sul, a previsão é de menos 200 mil. Já no Mato Grosso, são esperadas apenas uma baixa qualidade do grão, por conta das chuvas abundantes. Mesmo com o cenário ruim, a produção de soja brasileira deve bater este ano novo recorde, ficando superior aos 81,5 milhões de toneladas colhidos em 2013.

Veja também: Oferta de farelo de soja no Brasil preocupa indústria de rações

“A noção real das perdas só virá no fim da colheita, em abril. Mas o sentimento de quebra nos leva a apostar em uma safra de 86 milhões de toneladas”, diz Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil (Associação dos Produtores de Soja).

Economista da consultoria INTL FCStone Natália Orlovicin destaca que, assim como o valor do grão no mercado, o preço do frete está nas alturas. “Identificamos uma alta de 25%, acima da média já esperada para essa época, de muita valorização”, destaca Orlovicin, que não acredita em em um encarecimento do produtos, pelo aumento nos custos. “O produtor vai acolher essa alta, por conta dos bons retornos obtidos”, diz.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.