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Com o crescimento da produção, preços agrícolas mais altos e juros menores, foi também a primeira vez que os produtores tomaram mais empréstimos do que o projetado

Reuters

Os financiamentos bancários realizados dentro do Plano Safra da agricultura empresarial do governo brasileiro superaram R$ 100 bilhões pela primeira vez na história na temporada 2012/13, encerrada em junho, informou o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.

Com o crescimento da produção, preços agrícolas mais altos e juros menores, foi também a primeira vez, desde a safra 2007/08, que os produtores tomaram mais empréstimos do que o projetado pelo governo no lançamento do plano.

Empréstimos dentro do Plano Safra do Brasil superam R$ 100 bilhões pela primeira vez
Danielle Assalve/iG
Empréstimos dentro do Plano Safra do Brasil superam R$ 100 bilhões pela primeira vez

"A agricultura brasileira está demandando mais recursos e o governo desburocratizou o acesso ao crédito", afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, em entrevista à Reuters, após a divulgação dos números.

A contratação de crédito pela agricultura empresarial superou em 6,4% os R$115,25 bilhões previstos inicialmente, atingindo R$ 122,68 bilhões na temporada 12/13.

Na temporada anterior (2011/12), o total aplicado na agricultura empresarial por meio de empréstimos somou R$ 93,5 bilhões. Na nova safra (2013/14), os produtores terão R$ 136 bilhões à disposição para financimento, 18% a mais do que o ofertado inicialmente na temporada anterior (12/13).

Segundo o secretário, a alta nos preços da soja e do milho, que atingiram preços recordes em 2012, em meio à quebra de safra nos Estados Unidos, também influenciou no total financiado. Ele explicou que, com uma renda maior, os bancos aumentam o limite do financiamento.

A "desburocratização" do governo também ajudou no financiamento de médios produtores, disse o secretário. "Por exemplo, pelo Pronamp, para custeio, tinha R$ 7 bilhões, e o produtor acessou R$ 8,35 bilhões. O produtor pegou mais custeio no Banco do Brasil", afirmou ele, acrescentando que o agricultor também ficou menos dependente das tradings, cujos juros são mais que o dobro dos previstos no programa, de 5% ao ano.

"Ele não fica na mão da trading, não fica obrigado a vender o produto para a trading", afirmou o secretário, ponderando que esses comerciantes de grãos também têm importância fundamental para a engrenagem de financiamento do agronegócio.

Com a alta nos preços agrícolas, que deixou produtores mais capitalizados nas últimas safras, os produtores também aumentaram a utilização de recursos próprios no seu negócio.

A fatia de recursos próprios e os financiamentos do Plano Safra respondem por mais de 65% do valor investido --as tradings seguem respondendo por cerca de um terço do financiamento, disse o secretário.

Geller disse ainda estar otimista para a safra 2013/14 e acredita que os R$ 136 bilhões disponibilizados vão ser utilizados na íntegra.