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Fornecedores do setor agrícola vêem o ano como extraordinário, mas adiam investimento enquanto aguardam dados de crédito para 2014

Brasil Econômico

Na contramão do restante da indústria, não há tempo ruim para os produtores de máquinas e equipamentos destinados ao setor agrícola. Esse grupo de empresas está despreocupado com a inflação e com um possível esgotamento do consumo interno. E as taxas de juros que importam a elas são as que serão oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) em 2014.

Trator espalha a cana para ser plantada pelos trabalhadores
Isabela Kassow
Trator espalha a cana para ser plantada pelos trabalhadores

Sustentados pela safra recorde de grãos neste ano — de 185,7 milhões de toneladas, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)—, a indústria fornecedora para os produtores agrícolas está tão satisfeita com as vendas, que acredita que a capacidade instalada de suas fábricas atingirá a exaustão ainda no segundo semestre deste ano. Há quem aposte na necessidade de importação para conseguir atender toda demanda do mercado interno.

Não só a safra contribuiu com o sucesso dos produtores de máquinas agrícolas: o Tesouro também deu vem dando contribuição especial. Desde o ano passado o BNDES oferece linha de crédito especial, dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). As taxas começaram em 2% ao ano em 2012 e, no segundo semestre deste ano, estão em 3,5% ao ano, ainda competitivas, segundo avaliam os produtores de máquinas. As condições, no entanto, estão garantidas pelo governo apenas até dezembro.

“Considerada a inflação, os juros chegam a ser negativos. Isso incentiva a renovação da frota e a substituição do maquinário antigo e ultrapassado”, diz Alexandre Vinícius de Assis, gerente de Comercialização da Valtra, fabricante de tratores, colheitadeiras e pulverizadores. Ele conta que, diante de tamanho incentivo financeiro, muitos dos seus clientes vêm antecipando a compra de máquinas, independentemente da necessidade de utilização dos novos equipamentos.

“Provavelmente, vai faltar máquina para o ano que vem”, avalia Giancarlo Fasolin, gerente de Marketing da Montana, também fornecedor para o setor agrícola.

Eles afirmam que, ainda que o cenário seja de continuidade do crescimento do mercado, incertezas sobre a manutenção das condições favoráveis do PSI em 2014 levam os fabricantes de máquinas agrícolas a postergar o investimento na ampliação da capacidade instalada para atender ao crescimento da demanda interna.

“Nossa grande dúvida é o que vai acontecer em 2014 e 2015, o que vai acontecer com os juros (do BNDES). Se os juros aumentam, é outro mercado. Nosso plano de investimento é de cinco anos. O cenário de incerteza com o longo prazo atrasa o investimento”, ressalta Leonel Oliveira, gerente regional de vendas da Marssey Ferguson.

A perspectiva é de manutenção das condições de financiamento no patamar atual, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Júnior. “Tivemos algumas reuniões com o governo federal e com o BNDES e o retorno sobre a manutenção do PSI é positivo. Não acredito em uma alteração da política de incentivo em 2014. Somos bens de capital e o crescimento de bens de capital é tudo o que o governo almeja”, salienta o presidente da Anfavea.

O crescimento exuberante do segmento fornecedor de máquinas agrícolas - que avançou 29,5% no primeiro semestre deste ano, comparado a igual período de 2012 — “pode ser uma bolha”, alerta Oliveira, da Marssey Ferguson.

“Não houve tempo para a gente preparar um aumento de capacidade. Já no segundo semestre, ou trabalharemos estrangulados ou iremos importar. Cada vez mais estão chegando concorrentes estrangeiro”, diz o executivo.

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