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O Brasil se mantém com o status de país com risco insignificante de "vaca louca", o melhor possível na escala da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) não pensa em modificar, no contexto atual, o status do Brasil como país com risco insignificante de "vaca louca", o melhor possível em sua escala, apesar do caso declarado este mês, disse nesta sexta-feira à agência de notícias AFP o diretor geral da OIE, Bernard Vallat.

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O chefe da OIE, com sede em Paris, informou também que ainda são aguardados os resultados de exames que determinarão se o caso de vaca louca detectado há dois anos no Paraná (sul de Brasil) e declarado este mês é o "clássico" - causado por alimentos contaminados - ou "atípico", quer dizer, ligado a uma mutação genética em uma vaca de idade avançada.

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O caso levou cinco países - China, Arábia Saudita, Coreia do Sul, África do Sul e Japão - a suspender suas compras de carne do Brasil, um dos principais exportadores de carne do mundo. O Egito, terceiro comprador de carne brasileira, também suspendeu as compras provenientes do estado do Paraná.

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Este é um resumo da entrevista com Vallat, realizada por telefone após sua reunião em Paris com Guilherme Henrique Marques, diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura do Brasil, e Enio Marques, secretário de Defesa Agropecuária do Brasil:

- Este é o primeiro caso detectado na América Latina?

Sim, porque o Brasil foi capaz de implantar um sistema de detecção que permitiu colocar este caso em evidência. Não é fácil encontrar a doença, que é muito rara. É mais positivo que o Brasil tenha podido encontrar este caso.

- Quer dizer com isso que pensa que há outros casos não detectados na região?

Não penso. Para detectar a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), se requer um sistema muito sofisticado. Na região há vários países que obtiveram o status da OIE de "risco insignificante", como o Brasil, Argentina, Uruguai, etc. Esses países demostraram que têm um sistema de busca muito sofisticado, mas nem todos os países da região o têm.

- A OIE se reunirá em fevereiro. Reavaliará então a categoria do Brasil em relação à EEB?

O status é determinado por especialistas independentes. Teremos uma reunião em fevereiro em que será discutido o caso do Brasil, mas no contexto atual, e conforme nossas regras, não há razão para que o Brasil mude de categoria.

- A OIE considera o caso de "vaca louca" no Brasil como clássico, ou como atípico, tal como sugere o governo?

O Brasil enviou sua amostra ao laboratório mundial de referência, em Waybridge (Reino Unido), e esperamos o resultado. Confirmaram que trata-se de um caso de EEB, mas ainda não foi possível determinar se é clássico ou atípico. Contudo para a OIE, não há diferença.

- Que pensa do fato de que o Brasil ter anunciado em dezembro de 2012 um caso de "vaca louca" detectado há dois anos?

Compreendemos que houve um problema de logística (nos laboratórios onde os testes foram realizados). Se o Brasil quisesse esconder este caso, por que ia declará-lo agora, dois anos depois?

- Há outros exames em curso no rebanho bovino brasileiro?

Há uma investigação a fazer e os serviços veterinários do Brasil estão fazendo, verificando que os outros animais da fazenda não estão sendo contaminados pela mesma fonte alimentar que tinha contaminado o animal, se esse foi o caso.

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