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Frigoríficos dizem que impactos de embargos do Japão nos negócios são pequenos

O governo brasileiro vê como mínima a chance de alguns dos maiores importadores de carne bovina suspenderem suas compras por causa da confirmação de um animal, morto em 2010 no estado do Paraná, ser portador do agente causador da chamada doença da vaca louca. Até o momento, Japão, África do Sul e China oficializaram a proibição e receberão uma missão oficial verde-amarela para esclarecer o caso.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os dez grandes compradores do produto seja congelado, fresco ou refrigerado são pela ordem: Rússia, Egito, Hong Kong, Venezuela, Chile, Irã, Arábia Saudita, Itália, Holanda e Israel). As vendas de carne bovina representam 1,83% de tudo o que é embarcado ao exterior.

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“Nem Venezuela, nem Irã. Não vemos essa possibilidade", negou o secretário-substituto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) quando questionado sobre a possibilidade. Segundo ele, os iranianos mantêm, inclusive, uma estrutura com profissionais no país para acompanhar as condições sanitárias da carne que será embarcada.

Marques ressaltou que o Brasil segue com a classificação de risco negligenciável no sistema internacional de saúde animal e que o caso não representa perigo à produção. O Mapa mobilizou os adidos agrícolas nas embaixadas com as quais têm relacionamento comercial para disponibilizar todas as informações necessárias e esclarecer o caso.

“Para os países que respeitam as regras, isso é o suficiente. Mas há outros com outros interesses”, afirmou. Com base nisso, o secretário não descarta recorrer aos fóruns globais de intermediação de comércio, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra qualquer país que levante uma barreira que seja considerada protecionista.

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Outra fonte do governo brasileiro diz que, principalmente nesse período de comércio internacional mais restrito, os ânimos se exaltam. “E até os produtores locais, ao saber de notícias assim, se mobilizam para pressionar os governos e tentar fechar seu mercado às importações.”

Já a Rússia, maior demandante da carne brasileira, está próxima a suspender a proibição para os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. No dia 7 de dezembro entrou em vigor uma exigência do governo russo para que as carnes bovina e suína importadas de qualquer parte do mundo sejam certificadas para a ausência de resíduos da Ractopamina, um hormônio que promove o crescimento e que é usado pela pecuária brasileira. De acordo com Marques, foi traçado um plano de controle e indicações para uso de uma tecnologia segura.

Impactos

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, afirmou que o “impacto do embargo à carne brasileira pelo Japão é pequeno”. De acordo com ele, o país asiático não tem forte tradição em importar carne do Brasil.

A JBS, em comunicado, informou que considera que as atuais ocorrências não afetam em nada os negócios da companhia e não trazem prejuízos para as suas exportações.

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Segundo a empresa, o mercado japonês pode ser atendido a partir de outros países em que companhia atua. Procuradas, Marfrig e Minerva Foods não comentaram o caso, pois estão em período de silêncio devido à recente oferta de ações em bolsa.

Salazar preferiu não falar sobre as restrições impostas pelo governo russo às importações de carne de três grandes estados produtores brasileiros - Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso - que se estende desde junho do ano passado, por questões sanitárias.

Colaborou Gabriela Murno, do Rio

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