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Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, JBS e Minerva afirmam que caso não traz perigo aos negócios porque o animal não morreu em decorrência da doença

Os grandes produtores de carne do Brasil não veem risco às exportações por causa do registro de um caso "atípico" de Mal da Vaca Louca no norte do Paraná em 2010. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e as gigantes JBS e Minerva defendem que, como o Brasil não tem casos da doença, não haveria impactos comerciais em seus negócios. 

O entendimento vai na linha do que foi divulgado pelo governo nesta sexta-feira, após matéria do iG que denunciou o caso . Segundo o Ministério da Agricultura, "não foi achada a doença no Brasil. Entendemos que se trata de um caso raro, não clássico. O País segue sem incidência de EEB (Encefalopatia Espongiforme Bovina, nome científico do Mal da Vaca Louca)”, o diretor de saúde animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MPA), Guilherme Henrique Marques.

O animal que desenvolveu a mutação espontânea do agente que provoca a doença não morreu em decorrência do problema, e, por isso, o País manteve a classificação de risco insignificante da doença concedido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE).

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Em comunicado, a Abiec informou que "o que foi detectado é que ele possuía o agente
causador da doença apenas", e que "o achado indica a eficiência e transparência dos órgãos de defesa e vigilância sanitária do país". A associação ressalta ainda que a OIE decidiu manter a classificação de risco negligenciável do país para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), nome científico do Mal. Por causa disso, "não podem haver embargos ou restrições às exportações brasileiras".

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A Marfrig também divulgou nota a respeito, na qual afirma que o "episódio não reflete risco algum à saúde pública ou à sanidade animal, considerando o que o animal não morreu em função da referida doença". "Destacamos (...) que o gado no Brasil é predominantemente criado a pasto, que a incidência da doença está relacionada à ingestão, pelos animais bovinos, de produtos de origem animal, o que é proibido no Brasil", completa. Procurada, a JBS sustentou o entendimento de que não haveria nenhum impacto pelo fato de não haver incidência da doença no Brasil.

Entenda o caso

Em novembro de 2010, uma vaca de 13 anos, de uma fazenda do Norte do Paraná, morreu cerca de 24 horas depois de apresentar uma deterioração de seu estado de saúde. Os veterinários do local suspeitaram que se tratasse de um caso de raiva, e, por isso, o animal passou por exames para confirmar o problema. Durante uma averiguação mais detalhada de seu encéfalo, foi encontrado um príon, uma mutação de uma proteína que poderia causar o Mal da Vaca Louca.

No entanto, os mesmos exames mostraram que a doença não se manifestou na vaca, pois, caso contrário, teria modificado seu encéfalo. Segundo Enrico Lippi Ortolani, professor de clínica de bovinos da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, o risco de os bezerros gerados pela vaca terem contraído a doença é pequeno. "Além disso, o animal que tem a doença desenvolvida se torna estéril", afirma o especialista, que participou das reuniões com o Ministério da Agricultura para dar seu parecer sobre o caso. 

A demora em anunciar o caso, segundo o Ministério, foi por causa dos protocolos que devem ser seguidos nessas situações. Entre eles, explica Ortolani, estava o sacrifício de todos os animais mais velhos que conviviam com a vaca morta. "Nesses animais mais velhos não foi encontrado nenhum príon, o que confirma que se tratou de um caso isolado", afirma.


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