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Clima seco está acelerando a colheita, mas reduzindo peso e rendimento da cana; lavouras também foram mecanizadas só para atender lei, sem preparo adequado do solo

Agência Estado

A maior oferta de cana-de-açúcar prevista para a safra 2012/13 no Centro-Sul não se traduzirá em aumento de produção de açúcar e de etanol, de acordo com a Datagro Consultoria. Segundo o presidente da consultoria, Plínio Nastari, a queda do rendimento da cana reduzirá o volume final da safra. "O clima seco está acelerando a colheita, mas reduzindo o peso e o rendimento da cana colhida", disse. 

Além disso, a cana plantada nas regiões ao norte de Ribeirão Preto estão florescendo, o que reduz o rendimento. Na região de Araçatuba e Presidente Prudente, a cana está com as pontas amareladas em função da seca.

Nastari também ressalta que o produto encaminhado ao processamento tem um índice de impurezas acima do normal, decorrente da mecanização. Isso acontece porque para atender os prazos para a implantação da mecanização em São Paulo, muitas áreas estão sendo mecanizadas sem a sistematização do solo. "Muitas lavouras não foram adaptadas ainda para a colheita mecanizada, mas já estão sendo mecanizadas, mesmo com imperfeições no solo, o que se traduz na maior captura de impurezas junto com a cana colhida. Isto também reduz o rendimento final", explica.

No Centro-Sul, o rendimento deve ficar em 132,50 quilogramas de ATR por tonelada de cana, inferior aos 137,54 quilos/tonelada registrados na safra 2011/12. Para o Brasil, a Datagro previu uma produção de cana de 572,63 milhões de toneladas, alta de 2,55% em relação aos 558,65 milhões de toneladas colhidas na safra 2011/12. Porém, a produção de açúcar deve ser de 35,72 milhões de toneladas, queda de 0,44% ante os 35,88 milhões de toneladas da safra anterior.

O volume de etanol estimado para a safra 2012/13 é de 22,42 bilhões de litros, queda de 0,97% em relação aos 22,64 bilhões de litros da safra anterior. Nastari explica que mesmo com um volume menor de produto ao final da safra o custo das usinas não aumentará já que, ao contrário do ano passado, neste ano a moagem está mais concentrada e realizada em um menor período de tempo. "As usinas estão trabalhando uma maior quantidade de horas diárias para dar conta de processar toda a safra", disse.

No Centro-Sul, a produção de cana-de-açúcar deve atingir 512,13 milhões de toneladas, 3,9% maior que as 493 milhões de toneladas registradas na safra anterior. A produção de etanol para 2012/13 foi estimada em 20,51 bilhões de litros, estável em relação ao ano anterior. A produção de açúcar deve atingir 31,34 milhões de toneladas, também estável em relação à safra passada. O excedente exportável de açúcar atingirá 22,25 milhões de toneladas, superior aos 21,43 milhões de toneladas registradas em 2011/12.

A exportação de etanol deve ficar em 1,75 bilhão de litros, ante 1,73 bilhão de litros do período anterior. O Nordeste também está sofrendo os efeitos da seca, de acordo com Nastari. A produção de cana no Norte/Nordeste deve ficar em 60,5 milhões de toneladas em 2012/13, queda de 7% em relação aos 65 milhões de toneladas registrados em 2011/12. No período, a produção de açúcar deve recuar de 4,58 milhões de toneladas para 4,38 milhões de toneladas e a produção de etanol, de 2,09 bilhões para 1,918 bilhão de litros, de acordo com estimativa da Datagro.