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De acordo com presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, empresários do setor estariam dispostos a praticamente dobrar o volume de cana processada no país até 2020

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Padua Rodrigues, afirmou nesta segunda que o setor está pronto para investir até R$ 100 bilhões caso o governo defina regras claras tanto para o preço da gasolina quanto do etanol. De acordo com o executivo, ao menos 70 novas usinas estariam com projetos já desenhados e os empresários do setor estariam dispostos a praticamente dobrar o volume de cana processada no país até 2020. No entanto, afirmou Rodrigues, todos os investimentos permanecerão congelados enquanto regras claras para o setor sucro-alcooleiro não forem definidas por Brasília.

Apesar de negar que os canavieiros estejam pleiteando uma volta dos subsídios, Rodrigues afirmou que uma solução aguardada pelos empresários é que seja criada uma regra que garanta rentabilidade aos produtores de etanol. De acordo com ele, uma saída seria determinar preços mínimos ou mesmo tributar de forma variável a gasolina caso seu preço fique muito próximo do etanol, como acontece agora. “O poluidor precisa ser punido, o governo precisa definir uma política que valorize o fato de o etanol ser um combustível limpo”, disse.

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Outra medida defendida pela Unica é uma definição clara e de médio prazo sobre o preço da gasolina no mercado interno. “Nós precisamos saber se o governo vai segurar o preço, como está fazendo todos esses anos, ou se vai aceitar acompanhar os valores do petróleo internacional”, afirmou o executivo. De acordo com ele, independentemente de que caminho for seguido, os investidores precisam ter claro o que vai ocorrer nos próximos anos. “Mais do que qualquer incentivo tributário, essas duas questões são fundamentais para se ampliar a capacidade de produção do setor”.

Canavieiros e governo têm discutido todos esses temas, mas sem uma solução no curto prazo. A mais provável delas é umas redução de 60% no Pis-Cofins, que hoje é responsável por R$ 0,12 a cada litro de álcool. Existe uma possibilidade de que esse valor caia para R$ 0,07 centavos por litro. “Mas dificilmente o governo vai definir uma política de garantia de preços, isso seria voltar à época do subsídio”, disse o secretário de Óleo e Gás do Ministério das Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida.

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Apesar da estimativa de investimentos tão vultosos, hoje o setor sucro-alcooleiro opera longe de sua capacidade máxima no Brasil. Pelas estimativas da Unica, hoje a capacidade ociosa do setor gira em torno de 30%. “Nossa capacidade de produção está abaixo do limite de 560 milhões de toneladas que temos no país, mas isso não ficará assim por muito tempo”, diz Antonio Padua Rodrigues. Segundo o executivo, cerca de 600 mil empregos seriam criados caso os investimentos saíssem do papel.

De acordo com ele, a estimativa é de que em 2015 a indústria atinja seu limite de produção. Isso vai acontecer, segundo Rodrigues, por conta de um aumento na produtividade dos canaviais e por um crescimento natural tanto da demanda quanto da oferta. “A produção não vai cair nos próximos, mas se nada for feito pelo governo, ficará estagnada a partir de 2015”, disse.