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Empresa de participações do BNDES pode ter ficado com cerca de 30% do valor da OPA, segundo Wesley Batista, presidente do frigorífico

Agência Estado

O presidente do Grupo JBS, Wesley Batista, disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de sua empresa de participações, a BNDESPar, também participou da oferta pública voluntária de ações (OPA) da Vigor realizada ontem na BM&FBovespa.

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O executivo, porém, não soube detalhar como ficou a participação final BNDESPar tanto na JBS quanto na Vigor. "Deve ter ficado por volta de uns 30%, mas não sei precisar. Vamos informar ao mercado em breve", disse o executivo a jornalistas após a cerimônia de abertura do início das negociações das ações da empresa de lácteos do Grupo JBS, a Vigor, na BM&FBovespa.

Antes da realização da OPA, a BNDESPar tinha uma participação de 31,41% na JBS. No leilão da OPA realizado ontem, a adesão dos acionistas foram de 78,8%, movimentando R$ 1,879 bilhão.

Sobre o saldo restante de ações não subscritas que ficaram em poder da JBS, Batista disse que ainda não sabe o destino delas. "Vamos analisar o que vamos fazer e não há prazo para essa definição", explicou.

Sobre o motivo pelos quais os 21,2% dos acionistas restantes não quiseram aderir à operação, Batista disse que alguns queriam continuar seus investimentos em empresas que fazem parte do índice Ibovespa, outros porque o valor de mercado da Vigor não se encaixava com o perfil desejado, entre outros. "No geral, é uma questão interna dos fundos, mas não pelos fundamentos da empresa. Todos ficaram bem impressionados com a história da Vigor", declarou.

O presidente da JBS também disse que o racional de transformar a Vigor em uma empresa independente e de capital aberto é que o mercado teria uma melhor condição de analisar a companhia de lácteos se ela fosse separada. Hoje, a Vigor representa cerca de 5% a 7% do valor de mercado da JBS.

Segundo o executivo, o valor de mercado da JBS é de R$ 18 bilhões, enquanto que do da Vigor é quase R$ 1 bilhão. "A Vigor merecia essa nova fase. Acreditamos no crescimento do mercado brasileiro nos próximos anos, apesar da discussão atual de uma desaceleração da economia. A Vigor fará parte desse potencial do Brasil e do mercado de lácteos", declarou.

Sobre planos de abrir outras operações do Grupo, Batista disse que não há nada à vista da companhia no momento. Há pouco, as ações ordinárias da Vigor (VIGR3) recuavam 15,20%, cotadas a R$ 6,75. "Espero que as ações caminhem para uma trajetória de alta. Os papéis refletirão o trabalho que estamos fazendo e faremos com a Vigor", disse.

Crise e gado em pé

Batista comentou brevemente também sobre a crise mundial. "A situação na Europa nos preocupa, mas a nossa exposição na região é muito pequena. Se a crise piorar, afeta todo mundo, não só a JBS. Já nos Estados Unidos temos uma visão positiva. Achamos que a retomada da economia foi mais rápida do que o mercado estava esperando", afirmou.

Questionado ainda sobre a decisão da Camex de não taxar as exportações de gado em pé, o executivo foi enfático. "A taxação não foi um pedido da JBS e sim das associações do setor. Mas há uma confusão: as associações não defendem a taxação ou a restrição e, sim, a isonomia da taxação. Porque um país que importa gado vivo do Brasil não tem impostos sobre essa matéria-prima, mas acaba 'taxando' a carne? São dois pesos e duas medidas", explicou Batista.

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