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Em fala na comissão que investiga empréstimos do BNDES, empresário diz que mercado é cruel, reclama da imprensa e afirma que não causou prejuízo ao banco de fomento

O empresário Eike Batista disse nesta terça-feira (17) que o fracasso do grupo X não causou prejuízos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo ele, a raiz do seu fiasco foi o insucesso da OGX em produzir petróleo, gerando um efeito cascata nas outras empresas do grupo. Ele também reclamou da imprensa e diz que a mídia mente ao afirmar que ele deve R$ 10 bilhões ao BNDES por causa da ruína de seus empreendimentos.

À CPI, Eike Batista negou que BNDES tenha emprestado ao grupo X a fundo perdido
Marcel Frota/iG Brasília - 17.11.15
À CPI, Eike Batista negou que BNDES tenha emprestado ao grupo X a fundo perdido

“O mercado de capitais é muito cruel. Quando a OGX não teve a produtividade nos campos de petróleo adequada, houve literalmente uma corrida bancária porque imediatamente os bancos cortam suas linhas de crédito. É o que acontece em todas as companhias .E a OGX, que foi uma empresa em que foram captados US$ 11 bilhões no exterior para investir em petróleo, essa empresa não tinha um centavo do sistema financeiro nacional, foi investimento de risco apostando na riqueza do potencial da Bacia de Campos”, disse ele aos deputados da CPI do BNDES.

O empresário procurou desta afirmar que o BNDES jamais emprestou ao grupo X dinheiro a fundo perdido. Segundo ele, o corte das linhas de crédito que arruinaram a OGX são algo normal. “Esses cancelamentos dos investimentos feitos são uma realidade no setor de petróleo. É assim, é de altíssimo risco. Talvez isso tenha sido meu grande erro, foi ter acreditado tanto, porque as estatísticas mostravam que os campos brasileiros tinham o dobro da probabilidade de acerto. E não tive. Então infelizmente eu apostei demais numa área de altíssimo risco”, declarou o empresário. “Fui com muita sede ao pote."

Eike argumentou que o BNDES não teve participação nas atividades da OGX. “Esse empreendimento foi 100% de investimentos pessoais e de investidores estrangeiros e nacionais”, resumiu. “As empresas que tiveram o maior financiamento do BNDES foram a MPX [ setor de energia elétrica ], que tiveram algo em torno de R$ 7 bilhões, e a LLX [logística], que teve algo em torno de R$ 3 bilhões”, acrescentou. O empresário disse que a BNDESpar investiu somente na MPX na época do IPO (oferta primária de ações, na sigla em inglês)

“[O grupo X] quebrou porque a OGX não teve a produtividade, achamos petróleo, mas a produtividade dos poços não correspondeu ao esperado”, disse Eike. “Se eu tivesse investido em áreas do pré-sal, a história hoje seria totalmente diferente porque furamos 110 poços. Imagina se eu tivesse forado 110 poços em áreas do pré-sal. Aleluia!”

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