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Apesar de novo, modelo já é presente em 10% das cerca de 3 mil franqueadoras do País; modelo híbrido é testado em SP

Mesmo no atual momento econômico do País, o setor de franchising tem crescido. No primeiro semestre, a expansão foi de 11,2%, mas novas formas já estão sendo postas em prática para que as dificuldades não barrem o crescimento da área. Uma delas é a chamada franquia light, já presente em 10% das cerca de três mil franqueadoras brasileiras.

Na prática é a mesma loja, mas com um mix de produtos repensado, menor custo operacional e, consequentemente, com uma quantia bem inferior de investimento inicial. De acordo com o presidente da ABF-Rio, Beto Filho, o modelo vem tendo sucesso não só pelo modelo mais enxuto, mas pelo modo mais familiar como é tocado. “Geralmente, o próprio franqueado [da franquia light] é quem fica no ponto de venda. Funciona muito melhor, porque talvez, se fosse um funcionário, ele não daria tanta atenção”, explica.

Patroni Expresso tem, em média, de 12 a 15 m²
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Patroni Expresso tem, em média, de 12 a 15 m²

A tendência vem sendo bem exemplificada pela Patroni, a maior rede de pizzarias do Brasil. O modelo compacto (Patroni Expresso) já responde por 70% dos lançamentos de novas unidades neste ano, sendo três já inauguradas, 11 em processo de abertura e outras 100 já aprovadas. Para 2016, a expectativa é que 50 novas lojas sejam abertas. “[Essa modalidade] pega o investidor com pouco dinheiro ou com medo de investir, como também pega na outra ponta o público geral que convive com a crise e o desemprego”, afirma o presidente da franqueadora, Rubens Augusto Junior.

Para abrir uma Patroni Premium, o franqueado necessita de algo próximo a R$ 450 mil. Já a versão light se mostra possível com um aporte de R$ 150 mil, ou seja, um terço do investimento. O tempo de retorno se equivale nas duas modalidades. No entanto, o público-alvo da franquia light é mais amplo, com um mix pensado para vender por impulso. “Chega em todos os públicos. Pode colocar no Shopping Morumbi, no Shopping Iguatemi ou no Morro do Alemão que vai atender quem passar por perto”, aposta Junior, que pretende instalar as pequenas unidades de 12 a 15 metros quadrados em aeroportos, rodoviárias, campos de futebol e calçadões.

Mas se a ideia de uma franquia enxuta ainda é muito para o bolso do investidor, a opção pode ser se franquear a um serviço secundário de uma franqueadora. É o que a iGUi Piscinas apresenta como oportunidade de negócio de baixo investimento. A partir de R$ 10.900, o franqueado abre a microfranquia iGUi Trata Bem, que presta serviços de limpeza e manutenção de piscinas, além da venda de produtos químicos para o tratamento da água. “O franqueado fica vinculado a uma loja, que vai fornecer os clientes para que ele desempenhe o serviço”, explica o diretor da empresa Anderson Marcatto.

Cada loja da iGUi vende, em média, 150 piscinas por ano
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Cada loja da iGUi vende, em média, 150 piscinas por ano

Por conta dessa relação exclusiva de prestação de serviço, o franqueado não tem a necessidade de ter um ponto físico. Há a possibilidade de o franqueado alugar toda a estrutura em comodato com a empresa, mas o Trata Bem pode ser administrado até mesmo em regime Home Office.

O modelo surgiu da grande procura por apoio de tratamento por parte dos clientes, que as lojas convencionais (que vendem piscinas) não conseguiam suprir. “Com a Trata Bem, a gente vem resolvendo a necessidade de ter que contratar mão-de-obra, que muitas das vezes resultava em problemas como falta de atendimento e retornos ruins dos clientes”, acrescenta, ressaltando que cada loja, em média, vende 150 piscinas por ano.

Do ano passado para cá, o número de empreendedores dessa modalidade – que promete lucratividade líquida de R$ 6 mil e retorno em três meses – cresceu 700%. Passou de 20 microfranquias em dezembro de 2013 para 161 no mesmo período de 2014 e, atualmente, conta com 251 unidades. Até o fim de 2015, a meta é chegar a 300.

Experiência híbrida

Outra opção para conseguir melhor rentabilizar a franquia é o que a Nutty Bavarian vem fazendo de maneira ainda experimental no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. A rede inaugurou recentemente o formato “quiosque in quiosque” (união entre dois quiosques .

Seguindo uma tendência dos Estados Unidos – cerca de 70% das franquias norte-americanas – a rede pioneira e especializada em amendoins, castanhas e outros grãos glaceados e torrados vai vender seus produtos também no quiosque da doceria Formiga, instalada em outro ponto do shopping.

Nuty Bavarian experimenta o modelo
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Nuty Bavarian experimenta o modelo "quiosque in quiosque" em parceria com a doceria Formiga

“Nos nossos estudos de canais, vimos que um quiosque sozinho não valeria a pena. Acaba sendo alto o custo com um produto em um shopping [ainda que com público triplo A] com menos movimento”, avalia a diretora da marca, Adriana Miglorancia.

A ideia do mini quiosque é exatamente vender o produto em mais um ponto de venda e, em contrapartida, agregar valor ao quiosque que recebe o produto da Nuty Bavarian. “Com isso, a gente aproveita a mão-de-obra de lá [da Doceria Formiga], o aluguel e também os clientes, que ganham uma nova opção de compra”,

Apesar de estar em prática há aproximadamente um mês e meio, o modelo já tem versões para inserções em cafeterias, sorveterias e outros tipos de negócio. A previsão é que 30 mini quiosques estejam funcionando em parceria com outras marcas em 2016.

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