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Diretor da Watson Wyatt usou termo em e-mail que teria circulado por toda empresa, configurando danos morais

Uma psicóloga e outras duas colegas de trabalho serão indenizadas em R$ 20 mil após terem sido ofendidas por e-mail pelo coordenador da Watson Wyatt Brasil, empresa de consultoria anglo-americana. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) entendeu que a condenação por danos morais seria adequada, já que o ato de xingar as trabalhadoras foi ultrajante e atentatório à dignidade da pessoa humana.

Contratadas pela Embasa para integrar a equipe de RH, Nina Augusta Hasselman e outras duas funcionárias foram designadas para prestar serviços no novo Plano de Cargos, Salários e Carreira da empresa e, por isso, trocavam constantes e-mails com a equipe de Recursos Humanos interna da Watson Wyatt.

TST reformou sentença da justiça regional e definiu que houve danos morais
Divulgação
TST reformou sentença da justiça regional e definiu que houve danos morais

Em uma dessas comunicações, o coordenador da equipe mandou um e-mail ao superior hierárquico relatando as atividades desenvolvidas e ofendendo as funcionárias. "Os 2 primeiros dias é para consensar as trilhas com equipe de RH (as antas) e no último dia, apresentar o material dos 2 primeiros dias ao Comitê...", diz ele, em trecho da mensagem que elas alegaram ter circulado por toda a empresa.

Ao pedir a indenização, Nina e as outras duas profissionais argumentaram que a empresa poderia criticar o trabalho de maneira correta e educada dirigindo-se diretamente a elas, ao invés de ofender a honra e de forma humilhante.

Antes de o caso chegar ao TST, o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) negou o pedido das funcionárias por entender que não houve conduta ilícita da empresa, apesar de reconhecer o estilo chulo e deseducado adotado no e-mail. No entanto, ao analisar o recurso, a Segunda Turma reformou a sentença e definiu que houve sim a ofensa na troca de e-mails e lamentou a falta de compostura do empregador. "Não podemos ser tolerantes, pois nas relações de trabalho deve perpassar a cordialidade e a hombridade, sendo impossível a complacência em face de tamanha humilhação", diz trecho da decisão.

Procurada pelo iG , a Watson Wyatt disse que não comentará o assunto. Apenas frisou que o diretor, que não faz mais parte do quadro de funcionários, não representa o pensamento da empresa. Ainda cabe recurso no TST.

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