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Após escândalo, agência ambiental dos EUA intensificará fiscalização, com a realização de testes também em estradas

AP

Ativista do Greenpeace em frente à fábrica em Wolfsburg, na Alemanha
Michael Soh/AP - 25.9.2015
Ativista do Greenpeace em frente à fábrica em Wolfsburg, na Alemanha

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) planeja mudanças radicais na maneira de testar as emissões de diesel depois de ter sido enganada por um software desenvolvido pela Volkswagen, que pode ter sido usado durante sete anos pela montadora.

Segundo confissão da Volkswagen, 11 milhões de veículos receberam a ferramenta que burla a leitura das emissões de poluentes no momento de testes. A empresa, após ser pressionada por cerca de um ano pela agência, admitiu a instalação de software em veículos a diesel de quatro cilindros da Volkswagen e da subsidiária Audi que enganava os controles de poluição quando eles estão sendo testados. 

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Chris Grundler, chefe do escritório do transporte e da qualidade do ar da EPA, indicou que a agência vai promover testes nas estradas. Grundler diz que as mudanças são projetadas para detectar software e outros métodos criados pelas montadoras. 

Quando o software, chamado de "dispositivo manipulador ", determina que os carros estão de volta às estradas reais, e não estão mais em testes, os controles são desligados. A EPA diz que cerca de 500 mil carros norte-americanos, incluindo o Jetta, Golf, Fusca, Passat e Audi A3 tem o software da fraude.

A agência vinha sendo criticada por ter testes previsíveis e ultrapassados, o que tornava relativamente fácil para a montadora alemã fraudar os testes. Além do mais, a EPA inicialmente não descobriu o problema, que foram apontados por pesquisadores da Universidade de West Virginia, que fizeram testes em estrada.

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O esquema fraudulento teria começado em 2009, e foi descoberto em testes realizados pela Universidade de West Virginia, em nome do Conselho Internacional de Transporte Limpo, grupo sem fins lucrativos que aconselha os governos sobre os regulamentos. Após esses testes da universidade, a EPA e os órgãos reguladores da Califórnia reguladores confrontaram a Volkswagen com as conclusões a VW em maio de 2014. A montadora finalmente fez um recall no ano passado, sem muita melhoria, segundo a EPA. Somente quando o EPA e o conselho se recusaram a aprovar a fabricação de modelos a diesel para 2016, a empresa admitiu a fraude.



A EPA anunciou as violações há uma semana e disse que a montadora alemã poderia enfrentar bilhões em multas e na realização de recalls nos 11 milhões de unidades. A agência afirma que os carros são seguros para dirigir, mas VW que terá de pagar para recordar e corrigi-los. A agência também vai testar diesel de outros fabricantes para se certificar de que eles não têm dispositivos similares.

Na quarta-feira (22), o presidente-executivo da Volskwagen, Martin Winterkorn, deixou o cargo dias após admitir que, sob sua gestão, a montadora campẽa de venda de veículos em todo o mundo falsificou emissões de poluentes para ser aprovada em testes nos Estados Unidos.

Em um pronunciamento, Winterkorn assumiu as responsabilidades pelas "irregularidades" encontradas nos motores a diesel mas diz "não ter conhecimento de qualquer má conduta de minha parte".

"A Volkswagen precisa de um recomeço – inclusive em termos de pessoal. Eu vou abrir caminho para um recomeço com a minha renúncia".