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Supermercado da rede obrigava aqueles que se recusavam a dançar sozinhos na frente de funcionários e clientes

O grito de guerra obrigatório da rede de supermercados Walmart, rendeu à empresa uma condenação ao pagamento de indenização de R$ 3 mil a uma funcionária. A decisão, unânime, se deu ante a constatação de que os trabalhadores que se recusassem a participar do ritual eram constrangidos a realizá-lo sozinhos na frente dos demais empregados e clientes, o que caracterizaria assédio moral.

O canto, chamado"cheers" vem acompanhado de coreografia, em que os funcionários batem palmas e rebolam. A operadora Josiane dos Santos Valins, autora da ação, alegou que se sentiu ofendida com a situação imposta.

A empresa chegou a recorrer da condenação, alegando que não ficou comprovada a culpa dela e, ainda, que aquele era um momento de interação e descontração entre os empregados, sem a intenção de humilhá-los. Apesar disso, a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho não considerou o recurso.

Assita ao vídeo do grito de guerra:

Fonte: Reprodução do Youtube

Constrangimento

Para o relator, ministro Vieira de Mello Filho, ao aplicar de forma coletiva o grito de guerra, a empresa assume o risco de gerar constrangimento a outros que não se sentem confortáveis com atividades desse tipo. 

"O procedimento, portanto, perde seu caráter ‘lúdico' e "divertido", na medida em que para ele concorrem circunstâncias de submissão e dominação dos trabalhadores", diz trecho da decisão. 

O iG entrou em contato com o Walmart, que respondeu dizendo que "repudia incondicionalmente qualquer comportamento abusivo". A nota divulgada pela assessoria de imprensa voltou a afirmar que o grito de guerra da companhia tem como objetivo motivar e integrar as equipes em reuniões de trabalho. No entanto, a empresa disse que a participação não é obrigatória, que lamenta a decisão do Judiciário, mas que irá cumpri-la.

*Com informações do Tribunal Superior do Trabalho