Tamanho do texto

Segundo sindicato, a convenção coletiva deste ano será uma dura batalha (com possibilidade de demissões) e, por esse motivo, a empresa se dispôs ao acordo antes de negociar

Em 20 de fevereiro, trabalhadores da GM de SJC realizaram greve em retaliação à suspensão de contrato de trabalho de cerca de 800 na unidade
Lucas Lacaz Ruiz/Futura Press
Em 20 de fevereiro, trabalhadores da GM de SJC realizaram greve em retaliação à suspensão de contrato de trabalho de cerca de 800 na unidade

A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul fecharam acordo para o pagamento de R$ 6 mil a todos os funcionários da unidade, cerca de 10.500. A primeira parcela será depositada em 8 de julho, segundo informou o vice-presidente do sindicato, Francisco Nunes. A GM informou que não comentará o caso. O pagamento de R$ 6 mil acordados entre o sindicato de São Caetano e a GM são referentes ao pagamento da primeira parcela da participação nos lucros de 2015. A segunda, tradicionalmente, é paga em janeiro do ano seguinte.

A direção da montadora concordou em pagar a participação nos lucros em um cenário recessivo, de resultados negativos porque, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de SCS, a convenção coletiva deste ano será uma batalha, com negociações difíceis.

Hoje a GM do Brasil – que remeteu lucros à matriz norte-americana, salvando os resultados durante a crise de 2008 a 2012 (que levou o governo de Barack Obama a injetar bilhões de dólares na empresa) – amarga dias difíceis. A montadora global registrou prejuízo de US$ 214 milhões na América do Sul no primeiro trimestre deste ano.

A unidade de São Caetano tem 819 trabalhadores com contrato de trabalho suspenso (lay off) há quase 10 meses. O lay off tem duração de 5 meses e pode ser renovado. Ele é utilizado para que as empresas dividam o pagamento do salário com o governo – via recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – e assim evitem as demissões. Outro grupo de 568 trabalhadores de São Caetano também está em lay off até o 17 de outubro.

"Estamos apreensivos. Não vemos perspectivas de melhora no cenário. No dia 8 de julho acaba o lay off de 819 trabalhadores da unidade e a empresa vem dizendo que essas pessoas não terão como retornar ao trabalho", explica Nunes. 

As unidades do ABC e de São José dos Campos (no Vale do Paraíba, em SP) estão paradas neste mês. Em São Caetano do Sul, 5 mil funcionários estão em férias coletivas, de 11 a 28 de junho. De 1º a 10 de junho, esses trabalhadores estiveram de folga (day off). "A unidade não monta um carro desde 1º de junho. O terceiro turno, o da madrugada, foi encerrado em 2014", diz Nunes.

Segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o presidente da entidade ficou reunido com a GM ao longo des quarta-feira, negociando a participação nos lucros. A reunião terminou em impasse. A GM propôs R$ 8 mil de antecipação, mas o Sindicato não aceitou. A reivindicação do sindicato de São José dos Campos é de que essa primeira parcela seja pelo menos igual a do ano passado, que ficou em R$ 9.500. O Sindicato deu um prazo para que a GM apresente uma nova proposta até sexta-feira.

Na GM de São José dos Campos, há 1.700 trabalhadores em férias coletivas, o que levou a fábrica a parar 100% da produção dos veículos (S10 e Traillblazer, únicos modelos produzidos na planta). Além disso, há 778 trabalhadores em layoff desde março, com volta prevista para agosto.




    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.