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Estatal não apresentava prejuízo desde 1991 e só não distribuiu lucros aos acionistas no ano de 1992

O prejuízo da Petrobras  em 2014 é o maior desde 1986 entre empresas de capital aberto brasileiras, segundo levantamento da consultoria Economática. Com valores ajustados pela inflação é o terceiro pior resultado. A empresa não apresentava prejuízo desde 1991.

Leia mais:  Petrobras tem prejuízo de R$ 21,6 bilhões e perda de R$ 6 bilhões com corrupção

O levantamento da Economatica mostra que, desde 1986, a Petrobras só registrou prejuízo nos anos de 1991 e 2014. O prejuízo no ano de 1991 ajustado pela inflação medida pelo IPCA até 31 de dezembro de 2014 foi de R$ 1,16 bilhões. O maior lucro registrado pela empresa foi no ano de 2008 com R$ 46,2 bilhões.

Desde 1986 a Petrobrás só não distribuiu dividendos no ano de 1992, após o prejuízo de 1991 e agora no ano de 2015 devido ao prejuízo de 2014.

O prejuízo da Petrobrás de R$ 21,58 bilhões no ano de 2014 é o pior resultado já atingido por uma empresa de capital aberto desde 1986 em valores nominais (início da base histórica de dados da Economatica). Dos 10 maiores prejuízos nominais históricos 5 são de empresas estatais. OGX teve o segundo pior resultado da história com o resultado de 2013.

Prejuízos ajustados pela Inflação até 31 de dezembro de 2014

A Economatica elaborou o mesmo estudo com os valores ajustados pela inflação medida pelo IPCA até o dia 31 de dezembro de 2014. Nessas condições o maior prejuízo das empresas de capital aberto brasileiras pertence ao Banco Nacional no ano de 1995 com R$ 23,9 bilhões, resultado este registrado quando da falência do banco. O segundo maior prejuízo histórico com ajuste pela inflação pertence ao Banco do Brasil no ano de 1996 com R$ 22,4 bilhões, quando reconheceram as perdas com os créditos de exercícios anteriores. O prejuízo de R$ 21,58 bilhões da Petrobras no ano de 2014 é o terceiro maior do período analisado.

Prejuízo foi impactado por Operação Lava Jato

O prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões companhia foi impactado, principalmente, pela perda de ativos imobilizados, no total de R$ 50,8 bilhões – composto pela desvalorização dos ativos, calculada em R$ 44,6 bilhões, enquanto a baixa referente a gastos adicionais capitalizados indevidamente em decorrência da Operação Lava Jato  foi de R$ 6,2 bilhões).

O valor da receita operacional líquida registrado em 2014 foi de R$ 44,6 bilhões, enquanto a receita com vendas chegaram a R$ 337,3 bilhões. A estatal fez investimentos no valor total de R$ 87,1 bilhões, enquanto o Ebtida ajustado ficou em R$ 59,1 bilhões. A dívida líquida da empresa em 31 de dezembro de 2014 era de US$ 106 bilhões.

Segundo a divulgação dos resultados na quarta-feira (22), o balanço utilizou metodologia baseada no conteúdo das investigações do Ministério Público Federal – valores apurados pela Operação Lava Jato que se referem a 3% do valor de contratos com 27 empresas membros de um esquema de cartel que teria atuado na empresa entre 2004 e 2012.

Os dados apontam que a diretoria de Abastecimento foi responsável pelo desvio de R$ 3,4 bilhões, a de Exploração e Produção por R$ 2 bilhões, e a de Gás e Energia por R$ 700 milhões.


Veja os 5 maiores prejuízos nominais:

Petrobras: R$ - 21,5 bilhões, em 2014

OGX (empresa de óleo e gás): R$ - 17,4 bilhões, em 2013

Nova Óleo (óleo e gás): R$ - 16,8 bilhões, em 2013

Banco do Brasil: R$ -7,5 bilhões, em 1996

Banco Nacional: R$ -7,3 bilhões, em 1995

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