Tamanho do texto

Em teleconferência, executivos respondem perguntas de investidores e instituições financeiras

O diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Ivan Monteiro, e outros executivos da Petrobras reafirmaram nesta quinta-feira (23) – em teleconferência de resultados  – que a prioridade da estatal será a de manter o foco em projetos com maior rentabilidade no curto prazo e menor investimento necessário.

Além disso, a diretoria da estatal informou que vai avaliar constantemente as possibilidades de desinvestimentos (venda de ativos). "Todos esses processos formarão um conjunto harmonioso no sentido de reduzir a dívida". O diretor financeiro descartou totalmente a possibilidade de emissão de títulos para capitalização. A dívida líquida da empresa em 31 de dezembro de 2014 era de US$ 106 bilhões. A projeção do fluxo de caixa da empresa é de US$ 26 bilhões em 2015.

Leia mais:  Petrobras tem prejuízo de R$ 21,6 bilhões e perda de R$ 6 bilhões com corrupção

Prejuízo da Petrobras é o maior desde 1986, aponta Economática

Petrobras: 'Divulgação de resultados é só o primeiro passo'

Segundo Solange da Silva Guedes, diretora de Exploração e Produção, o crescimento orgânico da produção é importante para o plano de negócios. "A Petrobras demonstra portfólio de grande valor. Essa constatação demonstra nossa capacidade de gerar ativos de qualidade, quando temos uma exploração totalmente focada. Norteia ainda nossas decisões sobre oportunidades de desinvestimento", explicou Solange.

Solange explicou que o exercício que a empresa faz é manter o foco em ativos que tenham investimento marginal para otimizar retornos no curto prazo. "Nossa estratégia é postergar projetos de baixo retorno que demandem investimentos e focar carteira em atividades de exploração de ativos com capacidade de retorno ágil", reafirmou Solange. Ontem, na divulgação de balanço, o gerente executivo de Desempenho Mário Jorge da Silva já havia comentado esse ponto ao lado do presidente da estatal, Aldemir Bendine.

Sobre a política de preços da companhia, a Petrobras reiterou que trabalhará com preços competitivos e de mercado. "Na elaboração do novo plano de negócios trabalharemos sempre com os preços mais competitivos", disse o diretor financeiro. A empresa congelou o preço de combustíveis na gestão anterior (presidida por Graça Foster), por influência direta do governo federal e da presidente Dilma Rousseff. 

O plano estratégico para os próximo cinco anos será divulgado nos próximos 30 dias.

Uma pergunta recorrente dos acionistas e instituições financeiras foi sobre o fato não haver pagamento de dividendos, após prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões em 2014. Monteiro afirmou que a "companhia está absolutamente tranquila sobre a decisão de não pagar dividendos". Em seguida disse que se houver lucro em 2015, deve haver distribuição de dividendos. "Registrando lucro [em 2015], vamos distribuir, como de costume."

Outra questão recorrente foi a de previsão de investimentos (capex), anunciada ontem valor de US$ 29 bilhões, para 2015, e US$ 25 bilhões, em 2016. 

Ao ser questionada sobre a desaceleração na produção (que deveria subir 8% em 2014 e cresceu apenas 4,5%), a diretora de exploração lembrou números de produção compartilhadas no resultado do 3º trimestre. "Constatamos realizações menores, com paradas em campos como o de Roncador, que explicam os números relativos a expectativa de produção", disse Solange. Houve uma aceleração na queda. No pré-sal vai bem, mas no pós-sal há aceleração no declínio da produção.

Sobre o pagamento de PLR (participação nos lucros), Monteiro disse que a empresa cumprirá acordo coletivo trabalhado com sindicatos e que decidiu não pagar dividendos por "preservação do caixa da companhia".

Prejuízo foi de R$ 21,6 bilhões e perdas com corrupção, R$ 6 bilhões

O balanço da companhia foi divulgado na noite da quarta-feira (22) e reportou um prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões, em 2014, ante lucro líquido de R$ 23,4 bilhões apurado em 2013. Segundo análise da Economática, essa é a maior perda da empresa desde 1986 entre empresas de capital aberto brasileiras. A empresa não apresentava prejuízo desde 1991.

O balanço da companhia foi divulgado na noite da quarta-feira (22) e reportou um prejuízo líquido de R$ 21,6 bilhões, em 2014, ante lucro líquido de R$ 23,4 bilhões apurado em 2013. Segundo análise da Economática, essa é a maior perda da empresa desde 1986 entre empresas de capital aberto brasileiras. A empresa não apresentava prejuízo desde 1991.

Segundo informou ontem gerente executivo de Desempenho Mário Jorge da Silva, os resultados foram impactados, principalmente, pela perda de ativos imobilizados da companhia, no total de R$ 50,8 bilhões. Esse montante se refere à desvalorização dos ativos (impairment) da ordem de R$ 44,6 bilhões, somado à baixa referente aos desvios apurados pela Operação Lava Jato foi de R$ 6,2 bilhões.

A reavaliação total de ativos é muito inferior aos R$ 88,6 bilhões de uma estimativa divulgada em janeiro pela então presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Esse número teria sido o estopim da saída da executiva da estatal, por ter desagradado a presidente Dilma Rousseff. O mercado financeiro, no entanto, estimava a reavaliação dos ativos em torno de R$ 30 bilhões.

Resultado do terceiro e quarto trimestres de 2014

No terceiro trimestre de 2014 foi apurado prejuízo de R$ 5,3 bilhões. A diferença em relação ao lucro líquido divulgado em 27 de janeiro de 2015, de R$ 3,1 bilhões, reflete a baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no âmbito da Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões), além de um complemento de provisão para perdas com recebíveis do setor elétrico de R$ 1,6 bilhão.

Já no quarto trimestre, o prejuízo de R$ 26,6 bilhões refletindo a perda por desvalorização de ativos (impairment). A maior parte dessa perda foi relacionada às atividades de refino, devido a problemas de planejamento dos projetos, utilização de taxa de desconto com maior prêmio de risco, postergação da expectativa de entrada de caixa e menor crescimento econômico. Na atividade de Exploração e Produção o impairment ocorreu em função do declínio nos preços do petróleo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.