Tamanho do texto

Luiz Moan, presidente da Anfavea, vai apresentar dados negativos das empresas, como a queda nas vendas

A presidente Dilma Rousseff recebe às 16h desta quarta-feira (1º) o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Segundo a entidade, o executivo segue para o encontro para falar sobre as dificuldades que a indústria automobilística enfrenta em meio a uma conjuntura econômica ruim, de desaceleração da atividade, redução do consumo e do nível de crédito, além de juros altos.

Na pauta, segundo a entidade, estarão temas como emprego, lay-off (suspensão de contratos de trabalho) e a apresentação de dados do setor. No próximo dia 7, a Anfavea divulgará a revisão de expectativa de produção para o setor neste ano.

Leia mais:  Recuo em número de empregos ficará abaixo de 1%

Após ressaca de crédito, consumidor tem de evitar empréstimo

Ajuste fiscal: elevação de IOF para crédito é contraditória, diz economista

Segundo informou Moan em coletiva da entidade no mês passado, o resultado negativo de fevereiro derrubou a produção a níveis fevereiro de 2006. "O resultado [de janeiro e fevereiro] é muito ruim", disse na ocasião. O representante das montadoras avisou que deveria "reduzir bem as expectativas, pois o cenário mudou muito e faremos as revisões em abril, diferentemente dos anos anteriores, quando fazíamos apenas no começo do segundo semestre".

O setor foi um dos mais beneficiados pelas medidas de estímulo no primeiro mandato da presidente, chegando ao recorde, em 2013, de 3,7 milhões de veículos produzidos no País, e de venda total de veículos novos, em 2012 (3,8 milhões de unidades). Mas a indústria sofreu um forte revés em 2014 ao registrar queda da produção de 15,3% (com a fabricação de 3,15 milhões) e recuo de 7,1% nas vendas de veículos novos. 

O novo momento de ajuste fiscal do governo e o direcionamento econômico do ministro da Fazenda, Joaquim Levy – que é contra o favorecimento de setores específicos –, sinaliza que não haverá facilidades para uma indústria que atingiu patamares históricos, motivada pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), estímulos à exportação.

A contrapartida acordada com o governo era de não fechar empregos nas montadoras. A redução do IPI, por exemplo, tinha como objetivo incentivar o consumo e, assim manter o nível do emprego, por meio de acordos com as montadoras de não demissão. Mas isso não ocorreu no ano passado e as montadoras chegaram a cortar 12.300 vagas. Há ainda um acordo setorial  com o governo federal de lay off (suspensão do contrato de trabalho) para evitar demissões, mas algumas montadoras têm descumprido, como fez a Mercedes e a Volkswagen, em São Bernardo. Para não demitir, Ford, Scania e GM têm proposto plano de demissão voluntária (PDV), elevado o número de trabalhadores com contratos suspenso, concedido férias coletivas, reduzido jornada de trabalho e descontinuado turnos.

O cenário de hoje repete de forma mais aguda os dias ruins de 2014, quando montadoras ajustaram a produção por meio de concessão de férias, suspensão de contratos de trabalho e redução de jornadas em fábricas e obrigou o governo federal a adiar para janeiro o aumento de carga tributária do IPI que deveria ter ocorrido no final de junho, mas que só voltou à carga em janeiro deste ano.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.