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Fabricante de sorvetes dizia que sua origem vinha do avô do fundador da empresa que fazia o produto artesanalmente na Itália, mas tudo não passava de uma "narrativa ficcional"

A marca de sorvetes Diletto, que tem entre seus sócios o bilionário Jorge Paulo Lemann , foi condenada pelo Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a alterar todo o seu material publicitário.

O bilionário Jorge Paulo Lemann tem 20% da Diletto
Divulgação
O bilionário Jorge Paulo Lemann tem 20% da Diletto

Segundo o Conselho de Ética do Conar, a empresa terá de fazer a mudança "de forma que fique explícito no material publicitário do anunciante que a história sobre a origem do sorvete é uma fantasia, assim devendo ser entendida pelo consumidor".

A condenação foi decidada na quinta-feira (12), mas até a noite de sexta-feira (12) o site da empresa trazia a história inventada sobre a origem da marca. A decisão do Conar ainda permite recurso.

O história ficcional da Diletto, apresentada como se explicasse a origem da marca, se espalhou pelas redes sociais nos últimos meses e irritou muitos consumidores que pagam a partir de R$ 8 num picolé acreditando levar para casa, além de um produto feito com matérias-primas importadas, de primeira linha, um pouco de uma história familiar de um dos fundadores que teria começado a fazer sorvete ainda na itália.


O material de divulgação da Dilleto diz que o italiano Vittorio Scabin dedicava-se à produção de um picolé artesanal, numa mistura de frutas frescas e neve, nos anos de 1920, na região do Vêneto. Ainda de acordo com o site, Vittorio veio para o Brasil com a Segunda Guerra Mundial para tentar uma nova vida.

Seus netos teriam dado continuidade a essa história, aproveitado as evoluções a indústria do sorvete e lançado a marca no Brasil. "Esse é o legado que o Sr. Vittorio Scabin conferiu aos seus netos e que hoje é mantido com a mesma dedicação, perfeccionismo e paixão, fundamentais para transformar o que poderiam ser simples picolés em deliciosas porções de felicidade", informa o site da companhia.

A comunicação visual da empresa traz a foto de um suposto Vittorio e um caminhãozinho antigo que seria da Diletto. Tudo não passa de material publicitário.

Depois que o caso chegou ao Conar, a empresa divulgou uma nota informando que a marca foi desenvolvida "para reforçar de forma lúdica nossos valores... O personagem Vittorio, fundador da Diletto, é alterego do Sr, Antonio, avô de nosso sócio".

Sim, Antonio veio da região do Vêneto, "uma região famosa na Itália por utilizar a neve dos Alpes no processo de fabricação artesanal de gelaro. Uma inspiração inevitável", mas não era sorveteiro.

"Contamos essa história e a tangibilizamos através de um slogan e imagens de cunho publicitário. Não acreditamos de forma alguma que esta prática tenha falsificado o nosso DNA. Somos uma tradução literal dessa narrativa ficcional", defende-se a Diletto.