Tamanho do texto

Fluxo de investimento de empresas foi maior do que o aporte das chinesas, segundo dados do Banco Central do Brasil

Enquanto a economia mundial volta boa parte da atenção para os chineses, aqui no Brasil os sul-coreanos ganham mercado e conquistam os consumidores com produtos que são febre nacional, como os celulares da linha Samsung Galaxy, os carros HB20 e Veloster (ambos da Hyundai), e as SmarTVs da LG.

Em 2013, o fluxo de investimentos sul-coreano no Brasil foi de US$ 544 milhões, número 494% maior do que os US$ 110 milhões de aporte chinês, segundo dados do Banco Central. No ano passado, 31 novas empresas sul-coreanas desembarcaram no País, de acordo com dados Agência Nacional de Comércio Exterior da Coreia do Sul (Kotra). O forte das empresas é alta tecnologia.

Leia mais:  Quais atitudes tomar na hora de comprar na Black Friday

BC lança moedas comemorativas das Olimpíadas de 2016; conheça modelos

Sérgio Freidheim, diretor de Marketing da LG Electronics, afirma que 2014 é um ano muito positivo para a empresa no Brasil, conhecida principalmente pela qualidade de telas e displays. “A estrela do ano será a TV OLED. Fomos a primeira empresa do mercado a conseguir lançar comercialmente essa tecnologia. Também destacamos a Ultra HD 4K com altíssima qualidade de imagem, com resolução quatro vezes maior que a Full HD”, diz Freidheim.

O que move o desenvolvimento das linhas da empresa, segundo o executivo, é o melhoramento da experiência e a capacidade de imersão do usuário no ato de ver TV. “A tendência é os consumidores enxergarem cada vez mais as smart TVs como uma forma de aprimorar a experiência.”

Além de ter boa participação no mercado de TVs, a LG ampliou em 31% (de 2013 para 2014) seu portfólio na área de Mobile Communications, com 22 lançamentos apenas Brasil. Em julho, a empresa lançou o smartphone G3, top de linha, e o primeiro do mercado a contar com tela Quad HD, a maior resolução disponível nesse segmento. No Brasil, a LG é a segunda no mercado de smartphones, com 22% de participação, atrás apenas da também coreana Samsung, que tem 42% do mercado, segundo dados do IDC.

Além disso, Freidheim enfatiza que a empresa realiza campanhas “tropicalizadas” – que conversam diretamente com o consumidor brasileiro e falam sobre o que ele quer ouvir, em sua língua. A LG tem unidades de produção em Taubaté (SP) e Manaus (AM) e emprega aproximadamente 6.594 funcionários, englobando as fábricas, a sede em SP e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, que fica em São Paulo.

Veja produtos sul-coreanos que fazem sucesso no Brasil

A Samsung foi uma das primeiras sul-coreanas a desembarcar por aqui. Desde 1986 a empresa tem uma das maiores áreas fabris na Zona Franca de Manaus e hoje é líder no segmento de smartphones, apoiada na diversificada família Galaxy, que tem produtos para todos os bolsos.

Além de uma planta em Manaus (AM), a Samsung tem uma unidade em Campinas (SP), onde produz todos os eletrônicos que comercializa no Brasil (com exceção da linha de Home Appliance). Gera atualmente 12 mil empregos diretos.

Mercados emergentes são atrativos para apetite sul-coreano

A Coreia do Sul é diferente da irmã, a comunista Coreia do Norte, mas tem uma apetite que vale pelas duas nações, com grandes participações em mercados de países emergentes. Bons exemplos são a companhia de ferro e aço, Posco (3ª maior do mundo), e a Daewoo, empresa com 20 divisões de produtos voltados para o setor automotivo, tem participação importante na indiana Tata Veículos e em divisões da norte-americana GM.

Com o foco nos mercados em desenvolvimento dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), a Hyundai Motor chegou ao Brasil em 2011 com uma fábrica para abastecer diretamente o mercado local, depois se instalar na Índia, China e Rússia.

A estratégia da empresa foi lançar uma série de modelos da linha do HB20, para gostos, padrões e preços diferentes. O intuito era conquistar o consumidor brasileiro que ainda desconfiava dos coreanos, pois estava muito ligado a marcas presentes há décadas no Brasil. O diferencial apresentado: requinte no design e tecnologia comum a todas as unidades, mas com diversificação de preço no portfólio.

Recentemente a montadora celebrou os dois anos de lançamento do HB20 batendo a venda de 300 mil unidades vendidas no período. A Hyundai também é a criadora do Veloster e rivaliza com a conterrânea, a Kia Motors.

Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), em setembro, o HB20 hatch ficou na quarta colocação em vendas, com 9.904 unidades. No acumulado, de janeiro a setembro, o veículo foi responsável por 85.568 emplacamentos.

A Hyundai Motor Brasil possui uma planta em Piracicaba, interior de São Paulo, inaugurada em 2012. Hoje, opera em três turnos, empregando 2.700 funcionários e com capacidade de produzir até 180 mil veículos HB20 ao ano.