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Empresa franco-israelense de telecomunicações está a caminho de acrescentar Portugal ao seu portfólio de serviços que já funcionam na França, Israel e República Dominicana

O grupo de telecomunicações Altice fechou acordo para comprar as operações portuguesas da operadora Oi por cerca de R$ 23,7 bilhões (€ 7,4 bilhões), no que será sua terceira grande aquisição deste ano.

O empresário franco-israelense de telecomunicações Patrick Drahi, fundador da Altice, vem num movimento de expansão com acordos somando cerca de US$ 30 bilhões, e agora está a caminho de acrescentar Portugal ao seu portfólio de companhias de serviços a cabo e telecomunicações móveis na França, Israel e República Dominicana.

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Para a Oi, maior provedora de telefonia de linha fixa do Brasil, a venda representa a dissolução da malfadada fusão com a Portugal Telecom, que azedou no começo do ano quando o lado português perdeu centenas de milhões de euros no escândalo bancário envolvendo a família Espírito Santo.

As ações da Altice subiram mais de 6% nesta sessão, com reação positiva de investidores ao acordo, embora a Altice tenha precisado elevar o valor de sua oferta original em € 375 milhões (R$ 1,2 bilhão)para combater uma oferta concorrente dos fundos de private equity Apax Partners [APAX.UL] e Bain Capital.

O analista da ING Emmanuel Carlies estimou que a transação adicionará cerca de € 9 por ação ao valor da Altice.

"A Altice anunciou que entrou em acordo de exclusividade com a Oi para acertar a compra dos ativos portugueses da Portugal Telecom", disse a companhia em comunicado.

Os dois lados vão agora trabalhar para finalizar a aquisição e concluir a diligência contábil durante o que, segundo comunicado da Oi, é um período de exclusividade de 90 dias.

A companhia brasileira informou que a proposta da Altice considera o valor de empresa de € 7,4 bilhões de euros (US$ 9,2 bilhões), excluindo caixa e dívida, e inclui um pagamento diferido de € 500 milhões relacionado à geração futura de receita da PT Portugal.

Segundo a Oi, não fazem parte da proposta da Altice os investimentos da PT Portugal na Africatel e Timor Telecom, o endividamento da PT Portugal e os investimentos na Rio Forte Investments.

A Altice completou sua aquisição de maior porte na última quinta-feira através da compra pela sua subsidiária francesa Numericable, de serviços a cabo, da operadora de telefonia móvel SFR.

A série de aquisições tem sido alimentada em grande parte por dívidas, e a Altice planeja pagar pela Portugal Telecom com caixa e dívida. A companhia já possui duas empresas a cabo de pequeno porte em Portugal. A compra da PT Portugal, antigo monopólio estatal, irá posicioná-la em um posto privilegiado para competir com Vodafone e Optimus.

A venda dos ativos portugueses da Oi também poderá fazer avançar a debatida consolidação móvel no Brasil.

A Oi tem trabalhado em um plano para se juntar a rivais para comprar e, em seguida, repartir a TIM Participações, segunda maior operadora móvel do País.

Mas a Oi precisa vender alguns ativos para reduzir o peso da sua dívida, atualmente em cerca de R$ 46 bilhões, conforme tenta evitar a violação de contratos com detentores de bônus no começo do ano que vem.

Uma fonte com conhecimento direto do assunto disse à Reuters no mês passado que Oi, Telefónica e América Móvil – as duas últimas donas da Vivo e da Claro, respectivamente – vão fazer uma oferta de R$ 32 bilhões pela TIM, para depois dividir o negócio entre elas.

A oferta poderá ser apresentada dias após o acordo envolvendo a Portugal Telecom ser confirmado, disseram analistas e profissionais do mercado financeiro.