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Júlian Eguren havia sido indicado à presidência da Usiminas em janeiro de 2012

Reuters

Usiminas aprovou a destituição do argentino Julián Eguren (a direita) da presidência
Divulgação
Usiminas aprovou a destituição do argentino Julián Eguren (a direita) da presidência

Uma disputa entre a Ternium e o Grupo Nippon resultou na demissão do presidente da Usiminas e de mais dois altos executivos da maior produtora de aços planos do Brasil, o que fazia as ações despencarem nesta sexta-feira (26).

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Mais cedo, a Usiminas informou que seu conselho de administração aprovou a destituição do argentino Julián Eguren da presidência da companhia e também do diretor de subsidiárias, Paolo Bassetti, e do diretor industrial, Marcelo Chara.

Os executivos eram indicação da Ternium, que entrou no grupo de controle da empresa após investimento do grupo ítalo-argentino Techint no final de 2011.

A votação para demitir os executivos terminou empatada em cinco a cinco e foi destravada com o voto favorável do presidente do conselho da Usiminas, Paulo Penido, indicado pelo grupo Nippon.

Eguren havia sido indicado à presidência da Usiminas em janeiro de 2012 e, desde então, vinha promovendo uma série de medidas de ganho de produtividade e eficiência para recuperar resultados da companhia, em meio a uma crise de sobreoferta no mercado global de aço que já dura vários anos.

Às 11h55, as ações da Usiminas exibiam queda de 3,2%, a R$ 7,31, enquanto o Ibovespa tinha alta de 1,2%

Com o resultado da votação, o Grupo Nippon passou a acumular a gestão da Usiminas e a presidência do conselho da empresa.

O grupo japonês detém 29,45% das ações do grupo, enquanto a Ternium tem outros 27,66% dos papéis.

Em nota, o BTG Pactual afirmou que a demissão dos executivos da Usiminas é negativo para a empresa, porque levanta dúvidas sobre o relacionamento entre Nippon e Ternium.

"Desde a cara entrada pela Ternium na Usiminas (a R$ 36 por ação), investidores têm se mostrado preocupados com a governança corporativa e conflitos de interesse entre controladores e minoritários", afirmaram analistas do banco.

"Fomos pegos de surpresa com o anúncio (das demissões) e esperamos que as ações continuem sob pressão até se ter mais clareza sobre o assunto. Os resultados do terceiro trimestre também parece que virão fracos", acrescentaram.

Analistas do Bradesco BBI também afirmaram que a briga dos acionistas é negativa para a Usiminas, "especialmente em um momento em que a empresa enfrenta deterioração de resultados do segundo semestre".

A Usiminas informou que Rômel Erwin de Souza, atual diretor de tecnologia e qualidade, foi aprovado para o posto de Eguren em caráter temporário. Ele vai acumular também a diretoria antes comandada por Chara provisoriamente. O vice-presidente financeiro e indicação do Grupo Nippon, Ronald Seckelmann, vai acumular o posto comandado anteriormente por Bassetti, também temporariamente.

A Ternium afirmou que "discorda veementemente da destituição dos três membros da diretoria executiva da Usiminas, bem como da indicação de seus substitutos, ainda que provisórios". A companhia afirmou que vai processar o Grupo Nippon por quebra de acordo de acionistas.

"A Ternium não poupará esforços para fazer valer seus direitos e assegurar a continuidade do processo de reestruturação da Usiminas iniciado durante a gestão de Julián Eguren em janeiro de 2012", acrescentou a Ternium.

Representantes do Grupo Nippon não puderam ser contatados de imediato para comentar o assunto.

A Usiminas encerrou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 350 milhões, ante um resultado negativo de R$ 145 milhões sofrido no mesmo período de 2013.

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