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Para o presidente da Divisão de Processos Industriais da Siemens, Peter Herweck, a preocupação com eficiência, produtividade e controle de qualidade leva a indústria de volta aos debates sobre inovação

Detalhe da linha da Siemens em Amberg, na Alemanha
Divulgação/Siemens AG
Detalhe da linha da Siemens em Amberg, na Alemanha

A grande discussão do setor industrial é a mesma em todo o mundo: eficiência e produtividade – mesmo quando o cenário desse debate é a Alemanha.

Matriz de gigantes como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, o país europeu continua querendo fazer mais com menos. Responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a indústria é um importante pilar da economia alemã, que, por sua vez, foi – e ainda tem sido – a tábua de salvação da zona do euro desde a crise de 2009. Não é de se estranhar que esteja saindo da Alemanha mais uma vanguarda no setor produtivo: a indústria 4.0.

Em poucas palavras, trata-se de uma harmônica fusão entre o chão de fábrica e as nuvens de dados. Para a Siemens, esta é a matéria-prima do que pode ser chamada de 4ª revolução industrial – depois das máquinas a vapor, das linhas de produção em massa e dos avanços em automação.

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O fator agregado aqui é a digitalização dos dados e uso deles para controle de qualidade do produto final. "Estamos em busca de eficiência em cada fragmento da cadeia de valor, não só na manufatura", explica o presidente da Divisão de Processos Industriais da Siemens, Peter Herweck.

Em Amberg, cidade alemã na região da Bavaria, está a unidade da Siemens considerada referência para a marca em digitalização e automação industrial. É na própria fábrica de hardwares que aplicam todas as ferramentas da família Simatic, de controle e automação. "O Simatic fabrica o Simatic", dizem.

As ferramentas permitem o controle em tempo real e correção imediata da maior parte dos erros da linha de produção. Se uma placa, por exemplo, foi produzida com algum erro, o sistema mapeia em qual ponto do processo houve falha, manda essa informação para uma central de dados na nuvem, que acumula este conhecimento quantitativo e qualitativo.

O resultado já desponta. Em uma fábrica de cervejas nos Estados Unidos, por exemplo, a produção cresceu 30%. Na Volkswagen, o núcleo que opera sob digitalização da linha gasta 40% menos energia e oferece resultados 14% maiores. Na Samsung, o tempo de desenvolvimento de produtos é 20% menor enquanto na BMW é possível produzir três modelos diferentes dentro da mesma linha de montagem.

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Hoje, esse tipo de solução pode estar em diversos setores. Desde a indústria química, onde as perdas são bilionárias até a indústria de alimentos e bebidas – controle esse que diminuiria, por exemplo, o risco de contaminação de alimentos vendidos no supermercado. "A indústria voltou a ser sexy", brinca o executivo. "Nossa ideia não é gerar um infinito de dados, mas gerar informações inteligentes, que possam ser utilizadas." A fábrica de Amberg produz hoje cerca de 50 milhões de informações por dia. "Cada máquina da nossa unidade está online."

Humanos na fábrica também servem para criar

Um dos impactos imediatos da ampliação da digitalização e da automação das unidades produtivas seria a redução de trabalhadores no chão de fábrica. Para Karl-Heinz Büttner, líder da unidade de Amberg, as pessoas são o principal problema da manufatura hoje. "A taxa de falha humana é de 500 defeitos gerados por minuto. Hoje estamos trabalhando a uma taxa de 12 defeitos por minutos na unidade de Amberg", diz. "A fábrica se torna um organismo autoadministrado."


Ao que parece, a ideia da Siemens não é exterminar os trabalhadores de suas linhas de produção. Ao se concentrarem nos controles e coordenação dos projetos, passam a ser mais úteis na frente de inovação. Atualmente, implementam cerca de 11,5 ideias por funcionário (são 1,150 mil somente na unidade comandada por Büttner) com ganhos de até 40% em produtividade.

Emergentes têm interesse

Horst Kayser, chefe de estratégia da Siemens, explica que os mercados emergentes têm se mostrado muito abertos à adoção das tecnologias da indústria 4.0. "Em alguns lugares, como na China, temos de ser competitivos com custos", explica. "Mas vejo uma clara tendência de pularem para dentro desse trem da quarta revolução."

Na Alemanha, a Siemens garante um mix de clientes de grande, médio e pequeno porte. No entanto, o mesmo alcance ainda não chega no Brasil. Peter Herweck, chefe da divisão de Processos Industriais, diz esperar pelo resultado das eleições presidenciais para que seja definida a estratégia para o Brasil.

* a repórter viajou a convite da Siemens
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